Parte 5: Helena escapa da destruição do laboratório subterrâneo e descobre segredos sombrios sobre a sobrevivência de seu pai enquanto luta para salvar o próprio filho capturado
Helena encarou o visor digital do controle remoto que repousava sobre a poeira de concreto, os números piscando em uma contagem regressiva cruel sincronizada com o alarme de autodestruição do laboratório: cinquenta e dois segundos. O ar no subsolo tornou-se rarefeito e impregnado de fuligem, sufocado pelas chamas que começavam a devorar os fios expostos do painel destruído. O homem no topo da corda desapareceu na escuridão do piso superior, deixando para trás apenas o som surdo da escotilha de aço se fechando com um estalo hermético. Helena ajoelhou-se ao lado de Clara, puxando-a pelos ombros na esperança desesperada de encontrar qualquer sinal de vida ou uma palavra final, mas os olhos da médica já estavam fixos e desprovidos de brilho. A única herança de Clara era a poça de sangue que se expandia rapidamente, cobrindo o teclado do terminal biométrico.
Lembranças desconexas começaram a bombardeá-la com a violência de um enxame: flashes de um hospital privado sob tempestade, o som mecânico de aparelhos de anestesia e a voz sussurrada de seu pai ordenando que as memórias do parto fossem apagadas para «proteger o projeto». A dor muscular que antes a fortalecia agora se transformava em um espasmo queimante, o efeito colateral do soro cobrando seu preço biológico enquanto a adrenalina atingia o topo. Helena pegou o pequeno controle remoto, os dedos tremendo de raiva e pavor, e encarou o teclado numérico de quatro dígitos. A senha da conta secreta do pai não era uma combinação numérica comum; era a data exata em que a expedição marítima dele havia sido dada como perdida. Digitou os números às cegas, confiando apenas na memória muscular que teimava em emergir do trauma reprimido.
Ao pressionar a última tecla, um sinal sonoro agudo confirmou a aceitação do código, e a tela do pequeno aparelho mudou de vermelho para verde, exibindo o status de liberação do fluxo de oxigênio na câmara externa. Trinta segundos para o colapso total da estrutura. Sem olhar para trás, Helena correu em direção à tubulação de ventilação secundária, cujas grades haviam sido retorcidas pela explosão inicial. Escalou o duto de alumínio sob uma chuva de cacos de vidro e pedras de cantaria, impulsionada por uma força física que não parecia pertencer a uma mulher que passara anos paralisada. Quando o ar puro da noite finalmente atingiu seu rosto no pátio externo, o chão sob seus pés afundou com um estrondo ensurdecedor, engolindo o laboratório e a galeria inteira em uma cratera de escombros e fumaça densa.
Caída sobre a grama úmida da península, respirando com dificuldade, Helena olhou para a pista de pouso clandestina a menos de cem metros de distância. As luzes de um helicóptero militar sem marcações cortavam a neblina marítima enquanto as hélices giravam em ritmo acelerado. No centro do pátio, o homem com a cicatriz de seu pai caminhava em direção à aeronave, carregando nos braços o corpo inerte do garoto. Helena levantou-se com esforço, sacando a pistola tática que havia recolhido do cofre aberto de Clara antes da fuga. Correu pela vegetação rasteira, a visão noturna aprimorada pelo soro permitindo-lhe enxergar cada detalhe da cena: a cápsula de transporte do menino estava conectada ao controle remoto que ela acabara de ativar, e o fluxo de ar mantinha o peito do garoto subindo e descendo ritmicamente.
— Pare! — gritou Helena, a voz ecoando acima do ruído das pás do helicóptero, enquanto mirava diretamente na cabeça do homem rejuvenescido.
O homem parou a poucos passos da rampa de embarque, mas não se virou imediatamente. Com um movimento calmo e calculado, ele entregou o garoto a um dos mercenários armados na porta do helicóptero antes de girar sobre os calcanhares. Ele olhou para Helena com uma mescla de desprezo e admiração fria, ajustando as luvas de couro negro.
— Você sempre foi a mais persistente dos meus espécimes, Helena — disse ele, dando um passo lento na direção dela, ignorando a arma apontada para seu peito. — Mas você realmente acredita que a biologia que corre nas suas veias pertence a você? Aquele garoto não é apenas seu filho. Ele é a matriz do que seu verdadeiro pai começou há quarenta anos. Eu sou apenas a versão aperfeiçoada do homem que te criou.
Antes que Helena pudesse puxar o gatilho, o homem levou dois dedos ao pescoço e pressionou um ponto neural oculto sob a cicatriz. Instantaneamente, um pulso eletromagnético de baixa frequência disparou do dispositivo em seu punho, atingindo o sistema nervoso de Helena com a força de um choque elétrico. Suas pernas fraquejaram e a pistola caiu na grama. O soro em seu sangue reagiu violentamente ao pulso, paralisando seus movimentos voluntários de forma dolorosa, embora seus sentidos permanecessem terrivelmente aguçados. O homem caminhou até ela, curvou-se e sussurrou em seu ouvido com uma voz congelante:
— O homem que você chamava de pai nunca morreu no mar, Helena. Ele está te esperando no complexo principal… e foi ele quem ordenou a colheita do coração do seu filho esta noite.
O helicóptero decolou com um urro mecânico, desaparecendo nas nuvens carregadas acima do oceano e deixando Helena caída na escuridão do penhasco. No entanto, enquanto a paralisia temporária começava a ceder gradualmente em suas extremidades, a mão de Helena tateou a grama fria e encontrou algo que o homem havia deixado cair durante o confronto: um rastreador tático de frequência fechada, cujo visor exibia um ponto luminoso em movimento constante no meio do Atlântico, acompanhado por uma mensagem de texto codificada recebida há poucos segundos. Ao decifrar os caracteres na tela, o coração de Helena falhou uma batida ao ler o nome do remetente e o aviso final: «Ela conseguiu o código. Iniciar procedimento de substituição da cópia de Helena imediatamente.»