Parte 5: Em meio ao trabalho de parto prematuro e ao caos da fuga, Maya descobre que o marido é estéril, torna-se alvo da família Vance e é resgatada por aliados misteriosos enquanto é perseguida por um rastreador cirúrgico
Aquelas palavras cortaram o ar gelado como uma lâmina de aço, paralisando cada músculo do corpo de Maya. O verdadeiro pai? O coração dela disparou em um ritmo frenético enquanto o pânico e a desconfiança travavam sua garganta. Antes que pudesse articular uma única pergunta, a dor de uma nova contração a fez dobrar o joelho, reprimindo um gemido seco entre os dentes.
— Segure-se em mim — ordenou o homem no escuro, passando o braço firme pela cintura dela e amortecendo seu peso.
O alarme do prédio continuava a soar em um tom estridente, enquanto os sprinklers despejavam uma tempestade gelada sobre os convidados em pânico. Na penumbra cortada apenas pelas luzes vermelhas de emergência, os gritos de Helena e a voz enfurecida de Rodrigo ressoavam pelo salão.
— Encontre-a! Encontre essa vadia antes que ela saia da galeria! — urrava Rodrigo, o som de seus passos pesados esmagando os estilhaços de vidro no chão cada vez mais perto.
O homem misterioso puxou Maya com precisão cirúrgica através de uma fresta na parede de gesso, revelando uma passagem de serviço oculta atrás das cortinas de veludo. Ele a conduziu por um corredor estreito e tétrico, iluminado apenas pelo brilho fraco do telefone celular que ele trazia no bolso. Maya sentia o líquido amniótico misturado ao sangue escorrer pelas pernas, a dor abdominal tornando cada passo uma tortura insuportável.
— Quem é você? — sussurrou ela, cravando as unhas no casaco de couro do desconhecido. — Do que você está falando? O filho é do Rodrigo!
O homem não diminuiu o passo. Ao virar uma curva no corredor de concreto, a luz fraca revelou seu rosto: traços marcados, uma cicatriz fina cortando a sobrancelha esquerda e olhos cinzentos totalmente desprovidos de emoção.
— O laudo que você recebeu não provava apenas a tentativa de envenenamento, Maya. Provava a ineficiência do tratamento hormonal do Rodrigo. Ele é estéril há mais de cinco anos. O laudo genético da gestação já foi feito no laboratório clandestino da família. Rodrigo sabe que o bebê não é dele. Foi por isso que Helena ordenou que você fosse eliminada hoje.
Um arrepio gélido percorreu a espinha de Maya. As peças do quebra-cabeça caótico de sua vida começaram a se encaixar com uma violência aterrorizante. As pílulas diárias que Helena a obrigava a tomar, a insistência obsessiva por exames de sangue em uma clínica particular da família, o olhar de desprezo e ressentimento que Rodrigo lançava para sua barriga nos momentos de distração… Tudo fazia um sentido cruel.
De repente, a porta metálica no fim do corredor foi arrombada com um estrondo de metais se chocando.
— Achou mesmo que essa passagem secreta era um segredo, Gabriel? — a voz grave e gutural ecoou pelo túnel.
Dois seguranças armados surgiram na penumbra, empunhando pistolas com silenciadores instalados. Gabriel reagiu sem um segundo de hesitação. Ele empurrou Maya para trás de um pilar de sustentação e se projetou para a frente, desarmando o primeiro homem com um golpe seco no pulso. O som de um disparo abafado cortou a escuridão, seguido pelo baque surdo de um corpo caindo pesadamente no chão.
Maya encolheu-se contra a parede fria, cobrindo o rosto enquanto outra contração avassaladora a fazia perder o fôlego. Ela olhou para baixo e viu o sangue manchar cada vez mais o tecido roxo de seu vestido. O tempo estava se esgotando. O bebê não esperaria mais.
Gabriel derrubou o segundo homem com uma chave de braço precisa, pegando a arma do chão e voltando rapidamente para o lado de Maya. Ele a pegou nos braços sem pedir permissão, ignorando os protestos fracos dela, e chutou a porta de saída que dava para o beco dos fundos da galeria.
A chuva forte da noite atingiu o rosto de Maya assim que eles cruzaram a soleira. No meio do beco escuro, com o motor ligado e as luzes apagadas, um SUV preto blindado aguardava com a porta traseira aberta.
— Rápido! — gritou uma voz vinda do banco do motorista.
Gabriel colocou Maya com cuidado no banco traseiro. Quando ela se encostou no estofado de couro, o clarão dos faróis de outro carro iluminou a entrada do beco. O veículo dos Vance bloqueou a saída, e Rodrigo desceu do carona, empunhando uma arma e com o rosto desfigurado pela fúria insana.
— Maya! — gritou Rodrigo sob a tempestade, avançando a passos largos. — Se você der mais um passo, eu juro que mato você e essa aberração que você carrega!
Gabriel entrou no carro, bateu a porta e gritou para o motorista acelerar. O SUV arrancou com o ruído ensurdecedor dos pneus cantando no asfalto molhado. Dois tiros atingiram o vidro traseiro blindado, criando marcas em teia de aranha, mas não perfuraram a estrutura.
Maya caiu para trás, arfando, as mãos entrelaçadas na barriga enquanto as contrações se tornavam contínuas. A dor era inacreditável, uma força rasgando seu corpo ao meio.
— Precisamos ir para um hospital agora! — gritou ela, entre lágrimas e suor. — O bebê vai nascer!
O homem que dirigia o veículo olhou pelo retrovisor interno. Ele tirou o capuz que cobria sua cabeça, revelando olhos idênticos aos de Rodrigo, mas com uma postura completamente diferente, ostentando a postura rígida de quem havia passado anos escondido nas sombras.
— Não podemos ir a nenhum hospital público ou particular desta cidade, Maya — disse o motorista, com uma calma assustadora. — Helena controla todas as emergências de capital. Se pisarmos lá, o bebê morre na mesa de cirurgia.
— Então para onde vocês estão me levando? — implorou ela, sentindo a cabeça girar pela perda de sangue.
O motorista olhou para Gabriel no banco de trás e depois fixou os olhos em Maya pelo espelho.
— Para o único lugar onde os Vance não podem tocar. E onde você finalmente vai entender por que o falecido fundador desse império deixou metade de tudo no nome do seu filho antes mesmo de ele nascer.
Antes que Maya pudesse absorver o choque daquela revelação, o motorista jogou o volante para a esquerda, entrando em uma estrada de terra fechada pela vegetação. No mesmo instante, o telefone de Gabriel tocou no viva-voz do painel. A voz de Helena Vance ressoou dentro do carro, fria e cortante como o próprio inverno:
— Aproveitem os últimos minutos de vida. Vocês esqueceram de checar o rastreador cirúrgico que implantamos no útero da Maya no mês passado. Nós já estamos exatamente atrás de vocês.