Parte 5: Surpreendida por um cunhado que todos julgavam morto e pela revelação de que o seu próprio filho está vivo, Mariana é encurralada e forçada a trocar a criança que criou pela sua verdadeira descendência

Parte 5: Surpreendida por um cunhado que todos julgavam morto e pela revelação de que o seu próprio filho está vivo, Mariana é encurralada e forçada a trocar a criança que criou pela sua verdadeira descendência

 Parte 5: Surpreendida por um cunhado que todos julgavam morto e pela revelação de que o seu próprio filho está vivo, Mariana é encurralada e forçada a trocar a criança que criou pela sua verdadeira descendência

O ar fugiu do peito de Mariana, travando-lhe a garganta. Diante dela, banhado pela meia-luz espectral do corredor abandonado, estava o homem cuja foto repousava há cinco anos num porta-retratos sob uma camada grossa de poeira e luto. Arthur. O irmão mais velho de Mateo, o verdadeiro herdeiro do império e o homem que todos julgavam ter morrido na queda do jato executivo nos Alpes.

— Você… você está morto — balbuciou Mariana, o corpo todo a tremer enquanto dava um passo involuntário para trás, encurralando-se contra a porta de ferro que ainda rangia sob o impacto do fogo do outro lado. — O avião… os destroços…

Arthur deu um sorriso lento, quase imperceptível, desprovido de qualquer calor humano. O ajuste impecável da sua botoeira e a serenidade da sua postura tornavam a cena terrivelmente surreal diante das chamas que estalavam do outro lado da parede.

— Um acidente perfeitamente orquestrado serve para muitas coisas, Mariana. Principalmente para ver até onde os ratos correm quando acham que o queijo está sem dono — a voz dele era uma lâmina afiada, desprovida da loucura descontrolada de Mateo, o que a tornava infinitamente mais perigosa. — Mateo pensou que estava sendo um gênio ao comprar um bebê no mercado negro para garantir o testamento do nosso pai. O que o meu pobre irmão nunca soube é que o sangue não se compra. Ele comprou, sem saber, o meu filho. A criança que a mãe dele tentou esconder de mim antes de ser eliminada.

O bebê nos braços de Mariana soltou um ganido baixinho, agarrando-se ao tecido rasgado da sua camisa. Ela olhou para as feições da criança e depois para o homem à sua frente. A semelhança era inegável. A curva do queixo, o tom exato e penetrante dos olhos azuis. O chão sob os pés de Mariana parecia desfazer-se num abismo sem fim.

Um baque violento ecoou contra a porta trancada atrás de Mariana, fazendo o metal ranger. Mateo estava do outro lado, esmurrando a estrutura com desespero.

— MARIANA! ABRE ESSA PORTA! — o urro desfigurado de Mateo abafava o som distante dos bombeiros. — VOCÊ NÃO VAI SAIR DAQUI COM ELE!

Arthur sequer pestanejou com os gritos do irmão. Apertou um botão no relógio de pulso prateado e ajustou os punhos da camisa.

— Deixe que o fogo resolva o Mateo — disse Arthur, dando dois passos firmes em direção a Mariana e estendendo as mãos de dedos longos e finos. — Me dá o Tiago. Ou melhor… o pequeno Gabriel. A sua participação neste teatro acabou, Mariana. Você foi apenas a incubadora emocional que manteve o meu filho seguro até o momento certo.

— Não… — sussurrou ela, abraçando o bebê com ainda mais força, sentindo o calor do corpo da criança contra o seu peito ferido. — Ele não é um troféu! Ele é um ser humano! Eu o criei, eu o amei quando nenhum de vocês estava aqui!

— O seu amor não vale um centavo no conselho de administração, Mariana — retrucou Arthur, e pela primeira vez a sua voz perdeu a polidez, revelando uma gélida autoridade. — Entregue a criança agora, ou o homem que está ali fora não será o único a morrer hoje.

Repentinamente, um estrondo ensurdecedor fez o piso do corredor tremer. A porta de ferro atrás de Mariana não cedeu pelo lado de Mateo, mas sim pela explosão da viga central do quinto andar, que desabou sobre o patamar da escada. Um clarão alaranjado e uma onda de choque de ar quente arremessaram Mariana para a frente, fazendo-a cair de joelhos no cimento frio do corredor.

Ela protegeu o bebê com o próprio corpo, sentindo os estilhaços de concreto e fuligem atingirem as suas costas. Quando a poeira densa começou a baixar, Mariana tossiu, tentando enxergar através da fumaça preta que invadia o andar.

Arthur não estava mais sozinho.

Dois homens armados, vestindo trajes táticos pretos sem qualquer insígnia, surgiram do final do corredor, posicionando-se ao lado dele. Mas o que fez o sangue de Mariana congelar não foram as armas pontadas para ela.

Atrás de Arthur, caminhando devagar entre as sombras com um salto alto que estalava ritmadamente no chão de cimento, surgiu uma mulher. A iluminação de emergência avermelhada revelou o seu rosto impecavelmente maquiado, sem uma única marca de fuligem.

Era a Dra. Valéria. A médica obstetra que havia feito o parto de Mariana no ano passado. A mulher que havia segurado a sua mão e chorado com ela ao dizer que o seu bebê tinha nascido sem vida.

— Dra. Valéria…? — a voz de Mariana falhou, soterrada pelo peso de uma traição inconcebível.

A médica nem sequer piscou. Manteve o olhar frio, segurando uma pasta de couro preta sob o braço.

— O trabalho de parto foi perfeito, Mariana — disse a médica, com uma monotonia assustadora. — Você realmente acreditou que uma complicação placentária mataria um bebê saudável? O seu filho de verdade nunca morreu.

Mariana sentiu o coração parar por um segundo inteiro. O ar congelou nos seus pulmões.

— O quê…? — murmurou ela, as lágrimas abrindo sulcos limpos na fuligem do seu rosto. — O que você disse?

— O filho que você carregou durante nove meses está vivo — continuou Valéria, abrindo a pasta de couro e tirando de lá um documento com um carimbo oficial em vermelho. — E ele não está na Ucrânia, nem com o Mateo. Ele esteve este tempo todo no mesmo andar da sua casa, sob os cuidados da babá que o Arthur contratou para vigiar você.

Arthur deu mais um passo à frente, com um sorriso sombrio nos lábios, enquanto os seus homens armados davam um passo em sincronia, cercando Mariana.

— Um filho pelo outro, Mariana — disse Arthur, estendendo a mão para pegar o bebê nos braços dela. — Me devolva o herdeiro do império… e talvez eu lhe diga em qual país a sua verdadeira criança adormeceu esta noite.

Related articles

Recommended Video

Video