Parte 4: Helena descobre segredos sombrios sobre seu filho e o próprio pai enquanto tenta sobreviver à autodestruição de um laboratório subterrâneo

Parte 4: Helena descobre segredos sombrios sobre seu filho e o próprio pai enquanto tenta sobreviver à autodestruição de um laboratório subterrâneo

 Parte 4: Helena descobre segredos sombrios sobre seu filho e o próprio pai enquanto tenta sobreviver à autodestruição de um laboratório subterrâneo

Clara não esperou por uma resposta. Com um impulso violento, ela arrastou Helena em direção às portas dos fundos, onde o acesso exclusivo aos arquivos privados ficava oculto por uma tapeçaria renascentista. Helena tentou se soltar, mas percebeu que Clara segurava não apenas um dispositivo de metal, mas a única cápsula restante com o solvente neutralizador do químico que queimava em suas veias. Qualquer movimento brusco poderia destruir a cura definitiva. No corredor escuro e úmido, o cheiro de mofo e mofo misturava-se ao odor metálico de ozônio. Clara puxou uma alavanca enferrujada e uma passagem secreta no piso de pedra se abriu, revelando uma escadaria espiralada que descia para a escuridão absoluta das entranhas do penhasco. — Se você der mais um passo em falso, eu quebro o frasco e nós duas morremos aqui dentro — ameaçou Clara, a voz trêmula de paranoia, enquanto os passos pesados da equipe de invasão ressoavam no teto do corredor.

Helena desceu os degraus de pedra com uma leveza surreal, sentindo a própria força muscular responder de forma quase inumana, como se o soro administrado pelo menino tivesse reescrito sua biologia. A cada degrau, a luz avermelhada do alarme ficava para trás, substituída pela penumbra azulada de lâmpadas químicas penduradas no teto do subsolo. No final da escada, a passagem se abriu para um laboratório clandestino perfeitamente equipado, onde dezenas de telas exibiam dados biométricos em tempo real — e para a surpresa paralisante de Helena, o rosto que preenchia os monitores centrais era o dela própria, acompanhado de registros médicos com datas de vinte anos atrás. Clara soltou o pulso de Helena e caminhou lentamente até a mesa principal, onde um cofre biométrico permanecia aberto. — Você nunca perguntou por que sua família pagou pela minha faculdade de medicina, não é? — perguntou Clara, com um sorriso amargo desenhado no rosto pálido. — Eles não queriam uma amiga para você, Helena. Eles queriam uma carcereira.

O choque atingiu Helena como um golpe físico, mas antes que pudesse formular qualquer pergunta, um bipe intermitente soou nas telas do laboratório. O gráfico de frequência cardíaca exibido no monitor principal começou a cair drasticamente, não com os dados de Helena, mas com a assinatura biológica do menino que a salvara no átrio. Clara congelou, os olhos arregalados fixos nos números que despencavam na tela. — Isso é impossível… a transferência de energia deveria ter durado horas — murmurou Clara, com as mãos trêmulas sobre o teclado. Helena aproximou-se da bancada e viu a imagem de vigilância ao vivo: o menino estava caído no pátio externo da galeria, cercado por homens armados vestindo uniformes pretos sem insígnias. Entre eles, um homem alto, vestindo um sobretudo cinza-chumbo, curvava-se sobre o garoto desmaiado, retirando do pescoço dele um pendente idêntico ao que o pai de Helena usava antes de desaparecer no mar.

Helena avançou sobre Clara e a pressionou contra o painel de controle, a raiva finalmente superando a confusão. — Quem é aquele homem e o que meu pai tem a ver com essa aberração? — exigiu Helena, segurando o colarinho da mulher com uma força que fez Clara sufocar. Clara deu uma risada rouca e apontou para uma das telas menores, que mostrava a certidão de nascimento digital do menino. O nome registrado na tela fez o sangue de Helena congelar nas veias: o garoto não era um estranho, nem um prodígio qualquer. Ele era o filho que Helena acreditava ter perdido no parto dez anos atrás, mantido vivo em um estado de estase induzida dentro daquele mesmo complexo subterrâneo. — Ele só viveu até hoje porque absorvia os componentes que mantinham você paralisada — sussurrou Clara, engolindo em seco. — E agora que você acordou, o organismo dele está entrando em colapso irreversível.

Antes que Helena pudesse processar o peso esmagador daquela revelação, o teto do laboratório estremeceu violentamente sob o impacto de uma explosão controlada. Poeira de concreto e cacos de vidro despencaram sobre as bancadas de trabalho enquanto o som de tiros automáticos ecoava pela tubulação de ar. As luzes principais do laboratório se apagaram, deixando o ambiente imerso em uma escuridão quase total, cortada apenas pelas telas piscantes do sistema de emergência. Do buraco aberto no teto, uma figura desceu rapidamente por uma corda de resgate, aterrisando com precisão milimétrica no centro da sala. Quando a fumaça começou a se dissipar, a iluminação dos monitores revelou a silhueta do homem de sobretudo cinza-chumbo. Ele removeu os óculos de proteção tática e olhou diretamente para Helena, exibindo uma cicatriz profunda que cortava seu rosto do olho esquerdo até o queixo — a mesma cicatriz do pai de Helena, mas com feições brutalmente rejuvenescidas.

— Você demorou muito para acordar, minha filha — disse o homem, com uma voz fria e desprovida de qualquer emoção paternal, enquanto sacava uma arma com silenciador e a apontava não para Helena, mas para o peito de Clara. — E agora que você descobriu a verdade sobre o seu filho, é hora de decidir quem de nós dois vai sair vivo deste buraco.

Um tiro abafado cortou o ar antes que Helena pudesse reagir, e o corpo de Clara tombou para o lado, colidindo contra o painel central de energia. O impacto de Clara ativou a sequência de autodestruição da instalação, e um cronômetro regressivo de sessenta segundos começou a piscar em vermelho vivo por todas as paredes. O homem sorriu cinicamente, deu dois passos para trás em direção à corda de resgate e jogou um pequeno controle remoto aos pés de Helena. — Esse controle libera o oxigênio da câmara onde seu filho está sendo levado lá fora — disse ele, subindo rapidamente pela corda enquanto a estrutura ao redor começava a desmoronar. — Mas o código de ativação é a senha da conta secreta do seu pai… a mesma que você apagou da sua memória ontem à noite.

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