Parte 4: Rodrigo descobre uma teia de segredos de família e uma misteriosa impostora na mansão familiar antes de ser encurralado pela traição do próprio irmão

Parte 4: Rodrigo descobre uma teia de segredos de família e uma misteriosa impostora na mansão familiar antes de ser encurralado pela traição do próprio irmão

 Parte 4: Rodrigo descobre uma teia de segredos de família e uma misteriosa impostora na mansão familiar antes de ser encurralado pela traição do próprio irmão

—O corpo da minha mãe? —a voz de Rodrigo falhou, perdendo todo o ar que restava em seus pulmões enquanto o eco das palavras do garoto reverberava na brisa salobra.

Mas a criança já não estava mais lá. Tinha desaparecido entre os pilares de madeira do píer e a penumbra da maré baixa, como se a própria névoa da praia o houvesse engolido. Rodrigo deu dois passos trôpegos em direção às escadas, a mão ensanguentada pressionando o corrimão de madeira áspera. A dor no antebraço não era nada comparada ao abismo que acabara de se abrir sob seus pés. Paris. Ele mesmo havia falado com a mãe por videochamada na semana anterior; vira o apartamento no Boulevard Saint-Germain, as flores na janela, o sorriso cansado de quem se recuperava em um retiro de luxo. Ou assim ele acreditara.

Com as mãos trêmulas, Rodrigo tirou o celular do bolso e discou o número da mãe. A chamada foi direto para a caixa de mensagens, mas o bipe final foi substituído por um som seco e constante, como o pulso mecânico de um monitor cardíaco em uma sala fria. Ele desligou imediatamente, sentindo o suor frio escorrer pela nuca.

Sem pensar duas vezes, correu para o estacionamento do restaurante. Entrou no carro, ligou o motor e acelerou, cantando os pneus no asfalto molhado. As luzes da cidade viraram rastros borrados através do para-brisa. Cada sinal vermelho ignorado parecia uma corrida contra um fantasma. Se o veneno viera do cofre de seu pai e o testamento verdadeiro estava atrás da parede falsa, a pessoa que mandou a mensagem não queria apenas alertá-lo: queria que ele testemunhasse a ruína de tudo o que conhecia.

Ao dobrar a última curva da serra, a imponente mansão da família apareceu entre as árvores, envolta em uma escuridão fora do comum. Nenhum candelabro aceso, nenhuma iluminação de segurança nos jardins. Apenas os portões de ferro maciço escancarados, balançando lentamente ao sabor do vento noturno, emitindo um rangido lúgubre que fez o sangue de Rodrigo gelar.

Ele parou o carro a metros da entrada, deixando os faróis acesos iluminando o acesso principal. Pegou uma lanterna no porta-luvas e caminhou com passos firmes, embora o coração martelasse contra o peito. A porta da frente estava destrancada, apenas encostada. Ao empurrá-la, o cheiro característico de cera de assoalho misturava-se a algo metálico e denso — um cheiro inconfundível de ferro e umidade antiga.

A mansão estava num silêncio sepulcral. Rodrigo caminhou pelo corredor principal, com a lanterna cortando a escuridão. Ao se aproximar da biblioteca, percebeu que as portas duplas de carvalho estavam entreabertas, revelando uma nesga de luz amarelada que não vinha de lâmpadas elétricas, mas de velas recém-acesas no interior do cômodo.

Passo a passo, ele avançou. A biblioteca era o coração da casa, o refúgio onde seu pai passava noites inteiras antes do suposto acidente. Rodrigo empurrou a porta de madeira e parou petrificado.

O painel de madeira ao fundo, atrás da grande escrivaninha, estava destruído. A parede falsa fora arrombada com violência, revelando o pequeno cofre oculto — exatamente como a mensagem dizia —, agora completamente aberto e vazio. Documentos queimados repousavam em cinzas ainda quentes sobre o tapete persa.

Mas não foi o cofre desvalijado que fez o joelho de Rodrigo fraquejar.

No centro da sala, iluminada pelas velas dispostas em um círculo perfeito, havia uma poltrona de veludo verde voltada de costas para a entrada. De onde estava, Rodrigo podia ver uma mão pálida e inerte pendendo do braço da poltrona, usufruindo de um anel de safira bem familiar — o mesmo anel que sua mãe nunca tirara do dedo.

— Mãe? — sussurrou Rodrigo, a voz embargada pela dor e pelo terror.

Ele deu três passos hesitantes em direção à poltrona, com a lanterna tremendo em sua mão. Quando finalmente contornou o móvel e direcionou o facho de luz para o rosto da figura sentada, o ar faltou-lhe completamente.

A mulher na poltrona não era sua mãe. O rosto enrugado e rígido era de uma desconhecida, vestida com as roupas elegantes da matriarca e ostentando suas joias. E, preso ao peito daquela mulher por uma adaga de prata, havia um envelope selado em cera vermelha com o brasão original da família.

Rodrigo estendeu a mão trêmula, puxando o envelope antes que o choque o paralizasse de vez. Ao abri-lo, a caligrafia inconfundível de seu falecido pai dizia apenas uma linha:

«A mulher que você chamou de mãe por trinta anos nunca existiu, e seu irmão acabou de descobrir quem ela realmente é.»

Antes que Rodrigo pudesse processar o significado grotesco daquelas palavras, o som pesado de uma tranca de ferro ecoou às suas costas. As portas da biblioteca se fecharam bruscamente com um baque estrondoso, e a voz de seu próprio irmão, emitida através do sistema de alto-falantes da mansão, soou fria, sem qualquer vestígio de humanidade:

— Obrigado por abrir o caminho, Rodrigo. Agora, o fogo vai apagar as últimas provas.

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