Parte 4: Maya luta pela própria vida e pela do filho ao confrontar a poderosa família Vance em meio ao caos de um plano de fuga inesperado
A mensagem na tela do celular piscou como um aviso de execução, mas Maya não teve tempo para processar o pavor. As mãos de Helena fecharam-se sobre seu pescoço com uma força insana, sufocando seu ar. Os olhos da matriarca, desprovidos de qualquer humanidade, prometiam um fim sumário ali mesmo, sob o olhar atônito e covarde da alta sociedade.
Afastando o choque, Maya fincou os calcanhares no piso molhado. Ela não lutou contra as mãos no seu pescoço; em vez disso, usou a última gota de impulso para projetar o corpo pesado para trás, arrastando Helena junto. Ambas caíram com um estrondo violento sobre a mesa de suporte. O painel de vidro temperado estilhaçou-se em milhares de pedaços cintilantes que voaram pela galeria, cortando o ar e arrancando gritos agudos dos convidados.
No chão, entre os cacos reluzentes e a mistura de sopa e champanhe, Maya rolou para o lado, protegendo desesperadamente a barriga com o próprio braço. A dor nas costas era excruciante, mas a respiração voltou aos seus pulmões em um hausto doloroso. Helena, caída sobre os estilhaços de vidro, arquejava com um corte profundo na linha do maxilar, o sangue vermelho vivo manchando seu vestido branco de alta-costura.
— Pegue ela! — urrou Rodrigo, limpando os olhos vermelhos e trêmulo de dor. — Rodrigo, pegue o telefone dela agora!
Rodrigo avançou como um animal desesperado, ultrapassando os convidados atônitos. Ele sabia o que aquela notificação significava. Se o laudo toxicológico vazasse, o império dos Vance desmoronaria em minutos e os dois passariam o resto da vida atrás das grades.
Maya tentou se levantar, mas seus sapatos escorregavam na mistura viscosa de gelo e líquido. Rodrigo se lançou sobre ela, agarrando-a pelo pulso com violência extrema. Ele torceu seu braço para trás, tentando arrancar o aparelho que ela mantinha preso junto ao peito.
— Me dá essa porcaria, Maya! — rosnou ele, o rosto deformado pela fúria e pela pele queimada. — Você acha que vai sair viva daqui? Ninguém sai da família Vance!
A dor no pulso de Maya era quase insuportável, mas o pânico pela vida do filho falou mais alto. Com o joelho livre, ela desferiu um golpe certeiro entre as pernas do marido. Rodrigo soltou um uivo abafado e dobrou-se ao meio, soltando-a imediatamente. Maya rastejou para longe, apoiando-se no pedestal de concreto para se levantar.
No entanto, quando colocou os pés no chão, sentiu uma pontada aguda e paralisante na base do abdômen. Um calor estranho e fluido começou a escorrer por entre suas pernas, sujando o tecido roxo do vestido. Não era a sopa. Não era o champanhe.
A bolsa havia rompido. Apenas aos seis meses de gestação.
O pânico gélido congelou as veias de Maya. O bebê estava vindo cedo demais. Ela olhou para as próprias mãos trêmulas, depois para o corredor de emergência da galeria, a apenas dez metros de distância.
— Segurem as portas! — gritou a voz fria de Helena, levantando-se com a ajuda dos seguranças particulares da família que acabavam de invadir a sala. — Ninguém sai desta galeria. E tragam aquela vadia para o subsolo.
Três homens armados em ternos escuros avançaram pela multidão em pânico, bloqueando a saída principal e cercando o salão. Os convidados estavam sendo mantidos como reféns velados, atemorizados pelo poder político da família Vance. Maya estava completamente sozinha, sangrando e prestes a dar à luz no meio de uma cena de crime.
Ela recuou passo a passo em direção aos fundos da galeria, onde ficavam as docas de carga. Cada movimento provocava uma contração violenta que a fazia perder o fôlego. Rodrigo, recuperando o fôlego, pegou um pesado pedestal de ferro que segurava as cordas de isolamento e começou a caminhar na direção dela, o olhar carregado de uma insanidade homicida.
— Acabou a brincadeira, Maya — disse ele, a voz calma de forma aterrorizante. — Você não vai para hospital nenhum.
Maya engoliu em seco, recuando até que suas costas bateram na porta de aço de emergência. A barra antipânico estava travada por fora com um cadeado de corrente. Sem saída.
De repente, as luzes da galeria piscaram e apagaram-se completamente. O breu total tomou conta do imenso salão, seguido pelo alarme alto e ensurdecedor do sistema de incêndio. Sprinklers no teto começaram a disparar, lançando uma chuva fria sobre todos.
No meio da confusão, uma mão forte e desconhecida segurou o pulso de Maya no escuro. Ela tentou gritar, mas uma voz masculina, firme e sussurrada, soou bem ao lado do seu ouvido:
— Se você quiser que seu filho viva, não dê um pio. Eu sou a pessoa que enviou o laudo para o seu celular. E o verdadeiro pai desse bebê está te esperando lá fora.