Parte 3։ Helena recupera a visão e descobre que seu irmão está vivo em um salão subterrâneo, enfrentando uma escolha cruel entre sacrificá-lo ou entregar seu guarda-costas antes de transformar Gabriel em uma aberração assustadora

Parte 3։ Helena recupera a visão e descobre que seu irmão está vivo em um salão subterrâneo, enfrentando uma escolha cruel entre sacrificá-lo ou entregar seu guarda-costas antes de transformar Gabriel em uma aberração assustadora

 Parte 3։ Helena recupera a visão e descobre que seu irmão está vivo em um salão subterrâneo, enfrentando uma escolha cruel entre sacrificá-lo ou entregar seu guarda-costas antes de transformar Gabriel em uma aberração assustadora

A terra tremeu com mais força, abrindo uma rachadura profunda no asfalto que avançou como uma serpente em direção aos pés de Helena. A criatura decrépita presa às costas de Gabriel soltou um sibilo agudo, um som rasgado que parecia perfurar diretamente o cérebro da jovem, antes de afundar as garras ainda mais fundo na carne do guarda-costas. Gabriel caiu de joelhos, urrando enquanto veias negras se espalhavam pelo seu pescoço, mas seu olhar desesperado permanecia fixo no dela.

— Você precisa fechar os olhos, Helena! — gritou ele, a voz embargada pelo sangue que começava a escorrer do canto de sua boca. — Se a luz continuar entrando, a passagem não vai se fechar! Eles estão usando a sua retina como uma ponte!

Helena deu um passo cambaleante para trás, levando as mãos ao rosto. A tentação de sucumbir e cobrir a visão era avassaladora, mas o medo de voltar para a escuridão eterna era ainda maior. Pela primeira vez em sete anos, ela via o azul cristalino do céu, a textura das folhas, o perigo iminente. Ela não podia simplesmente desistir do milagre.

— Ele está mentindo — a voz do menino ecoou, serena e fria, surgindo bem ao lado da orelha de Helena, embora um milissegundo antes ele estivesse a metros de distância.

Helena deu um salto sob o susto, o coração parecendo querer explodir no peito. As linhas douradas que queimavam sob a pele de seus braços agora subiam em direção ao pescoço, pulsando em uma frequência alucinante.

— Olhe para o chão, Helena — sussurrou o garoto sem pupilas, colocando uma mão fria como gelo sobre o ombro dela. — Veja quem realmente reside sob a tumba do seu irmão.

Apesar do pânico, o olhar de Helena foi atraído para a grande fenda aberta no asfalto. Lá dentro, na profundeza das trevas abaixo do parque, não havia terra ou pedras. Havia um salão subterrâneo vasto e iluminado por tochas de fogo prateado. No centro daquele lugar, repousava um caixão de vidro reluzente.

E dentro dele, com o peito subindo e descendo em uma respiração lenta e compassada, estava o rosto inconfundível de seu irmão, Lucas. Ele parecia não ter envelhecido um único dia desde o acidente.

As lágrimas voltaram a queimar os olhos de Helena, turvando a visão recém-adquirida. — Lucas… — ela murmurou, a voz sufocada pela dor e pela esperança desmedida.

— Ele não está morto, mas para continuar vivo, necessitava da sua escuridão — disse o garoto, o tom de voz desprovido de qualquer emoção humana. — O pacto que seu pai fez antes de morrer exigia que um dos filhos carregasse a sombra para que o outro mantivesse a vida. Gabriel era apenas o carcereiro encarregado de garantir que você nunca enxergasse a verdade.

Helena voltou o olhar para Gabriel. O guarda-costas estava caído sobre a grama, contorcendo-se enquanto a criatura sem olhos sussurrava furiosamente em seu ouvido, moldando a névoa negra ao redor dele em correntes de ferro translúcido.

— Não escute ele, Helena… — balbuciou Gabriel, a voz enfraquecendo rapidamente. — O garoto… ele não é quem você pensa. Ele é o verdadeiro…

Antes que Gabriel pudesse terminar a frase, as correntes de névoa se fecharam em torno de seu pescoço, sufocando suas palavras.

Helena sentiu as linhas douradas em seus pulsos queimarem com uma intensidade brutal. A dor a fez cair de joelhos na grama. O chão ao seu redor começou a liquefazer-se, e o brilho prateado do salão subterrâneo abaixo da fenda tornou-se tão forte que começou a cegar o parque ensolarado.

O garoto se ajoelhou à sua frente, seus olhos espelhados refletindo o sofrimento dela. — A luz exige equilíbrio, Helena. Para que você continue vendo, o sacrifício precisa ser renovado. Escolha agora.

— Escolher o quê? — ela arquejou, agarando a terra com os dedos enquanto a tontura ameaçava levá-la à inconsciência.

— Para que Lucas desperte do caixão e volte para o mundo superior — o menino inclinou a cabeça, indicando o guarda-costas agonizante no chão —, a vida de Gabriel deve ser oferecida no seu lugar. Mas se você recusar o sangue dele, sua visão se apagará para sempre neste mesmo segundo, e Lucas morrerá no salão das sombras.

A respiração de Helena engatou na garganta. Ela olhou para Gabriel, o homem que cuidara dela durante anos, que a protegera de perigos reais e imaginários, mas que também sustentara a maior mentira de sua vida. Depois, olhou para a fenda no asfalto, onde o peito de seu irmão continuava a subir e descer calmamente.

O cão ao seu lado soltou um ganido doloroso e caiu de lado, as linhas douradas se alastrando também pelo corpo do animal.

— Você tem três segundos — avisou o garoto, estendendo uma lâmina de cristal negro que surgiu do nada em sua mão.

Helena segurou a lâmina com as mãos trêmulas, o toque do cristal queimando sua pele como brasa. O brilho nos seus olhos começou a vacilar, a escuridão conhecendo o caminho de volta, avançando pelas bordas de seu campo de visão.

Com um grito de desespero, Helena ergueu a lâmina negra, não na direção de Gabriel, mas cravando-a com toda a força no chão, exatamente sobre as linhas luminosas que conectavam seu corpo à fenda subterrânea.

Um clarão ensurdecedor e absoluto tomou conta do parque, rasgando o ar em um estalo seco.

Quando a luz finalmente se dissipou, a dor em seus pulsos havia sumido. O parque estava em absoluto silêncio. A fenda no asfalto desaparecera, e o menino de casaco verde não estava em lugar nenhum.

Helena piscou, os olhos doendo. Sua visão ainda estava lá. Ela conseguia ver o verde da grama, o céu, o cão se levantando devagar ao seu lado.

Mas quando ela se virou para procurar Gabriel, seu coração parou.

Gabriel estava de pé. No entanto, a criatura sem olhos não estava mais em suas costas. Em vez disso, o rosto de Gabriel estava completamente liso, sem boca, sem nariz e sem olhos — uma superfície de pele pálida e contínua. E no centro do seu peito, um olho humano enorme e dourado acabara de se abrir, encarando Helena com uma dor terrível e consciente.

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