Part 2։ Matriarca da família Vasconcellos tranca nora grávida em piscina blindada para esconder segredo de herança familiar
O eco do gesso azul-turquesa batendo no deque de madeira de lei ainda ressoava na bruma do anoitecer quando Elena sentiu as mãos frias de Dna. Beatriz em suas costas. Não houve hesitação, nem um segundo de dúvida nos olhos prateados da mulher que moldara o império financeiro da família Vasconcellos. O impulso foi seco, calculado e devastador. Elena tentou firmar as muletas de fibra de carbono preto fosco, mas a perna imobilizada impediu qualquer reação. O ar escapou de seus pulmões em um grito estrangulado no momento exato em que seu corpo rompeu o espelho d’água cristalina da piscina de borda infinita.
«A sua presença acaba agora!»
A voz de Beatriz ecoou no ar da montanha como uma sentença de morte pronunciada com elegância glacial.
A água congelante engoliu Elena instantaneamente. O impacto sufocado contra o fundo da piscina fez a bolha de ar que lhe restava nos pulmões escapar em um borrão azulado. A saia de seda roxa esvoaçava como uma mancha escura ao redor de seu ventre de sete meses. Abaixo, o gesso pesado arrastava seu corpo para baixo, agindo como uma âncora impiedosa. Acima, através do plano translúcido da água, a figura esguia de Beatriz em seu terno de veludo azul-noite movia-se sem pressa.
Beatriz abriu a caixa do painel digital na parede de madeira e pressionou o polegar contra o leitor biométrico sem piscar.
«Apagamento concluído.»
Um zumbido mecânico grave despertou nas entranhas da estrutura. A pesada cobertura retrátil de ardosia reforçada começou a deslizar em ritmo acelerado, cortando a luz do pôr do sol e selando a superfície d’água milímetro a milímetro, trancando Elena em uma tumba subaquática completamente hermética.
Apenas três minutos antes, Elena segurava um envelope pardo amassado dentro do bolso do seu vestido de gestante—o verdadeiro exame genético que Beatriz tentara destruir naquela manhã. Um segredo que não apenas mudaria a sucessão do império, mas revelaria que o verdadeiro herdeiro nunca fora quem todos acreditavam ser.
O som de passos violentos rasgou o silêncio do deque. Lucas, com a camisa de linho verde-oliva desarrumada e o rosto pálido de pavor, surgiu na curva da varanda bem no instante em que o trava-língua de aço do deck selou a piscina por completo.
«Pare com esta loucura imediatamente!» gritou ele, a voz falhando enquanto derrapava no piso polido e caía de joelhos sobre a cobertura blindada.
Ele socou a superfície de ardósia com os dois punhos, produzindo ecos ocos e metálicos que reverberavam na água abaixo. «Abra isto! Desbloqueie isto!»
Beatriz nem sequer se virou. Com uma calma metódica, tirou o controle remoto sem fio do bolso, jogou-o sobre os ladrilhos e cravou o salto fino de seu sapato bem no centro do circuito integrado. O estalo de plástico e metal despedaçado soou como um tiro no deck silencioso. Sem perder a postura, ela chutou os fragmentos destruídos para dentro da grelha de drenagem profunda entre as tábuas do piso. As peças caíram nas sombras inacessíveis do esgoto.
O olhar de Lucas acompanhou o brilho metálico desaparecendo na escuridão do dreno. O sangue sumiu de suas bochechas, dando lugar a uma raiva visceral que ele nunca soubera que possuía.
«Sua monstra sem coração… o que você fez?!»
Ele se levantou como uma fera ferida e avançou contra a própria mãe. Segurou-a pelo colarinho do terno de veludo, rasgando o tecido caro ao prensar o corpo da mulher contra o guarda-corpo de vidro da varanda, acima do abismo do vale.
«DESBLOQUEIE O SISTEMA AGORA!» gritou ele, o rosto a milímetros do dela, as veias do pescoço prestes a explodir.
Beatriz não expressou dor, medo ou arrependimento. Seus lábios finos se curvaram em um sorriso gélido e triunfante enquanto encarava o próprio filho.
«A sua linhagem morre hoje.»
Aquelas palavras bateram no peito de Lucas como um golpe físico. Não havia chave reserva. Não havia comando de emergência manual que ele conhecesse sem o painel mestre trancado. Percebendo que cada segundo gasto ali era um segundo a menos de oxigênio para Elena e seu filho, ele soltou a mãe brutalmente, fazendo-a tropeçar contra o vidro, e se jogou de joelhos novamente no centro do deck selado.
Ele começou a golpear a estrutura blindada com os cotovelos e os nós dos dedos, rasgando a pele até sangrar sobre o piso escuro.
«Aguente firme! Eu não vou deixar você se afogar!» gritava ele, a voz afogada em soluços e desespero puro. «Alguém quebre esta trava!»
Debaixo da lâmina negra de ardósia, o mundo era feito apenas de silêncio e terror.
Elena flutuava no escuro absoluto da água, sentindo a pressão esmagadora no peito. O gesso em sua perna esquerda a puxava impiedosamente para o fundo, mas suas mãos lutavam contra a densidade do líquido. Pequenas bolhas prateadas escapavam de seus lábios a cada batida desgovernada de seu coração, subindo até tocar a superfície impenetrável acima dela.
A luz do sol poente já não existia mais. Apenas a memória do calor do rosto de Lucas e a certeza aterradora do motivo pelo qual Beatriz agira tão rápido. Elena levou a mão ao ventre, sentindo o pequeno movimento fraco dentro de si, e depois ergueu o braço empapado na direção do teto de pedra que a separava do ar.
Sua palma pálida pressionou a superfície lisa e submersa da cobertura trancada, empurrando em vão contra o peso imóvel. O som abafado dos socos de Lucas no teto chegava até ela como batidas distantes de um tambor que diminuía de ritmo a cada segundo.
O ar em seus pulmões queimava. A visão nas bordas de seus olhos começou a escurecer, manchada por pontos pretos que dançavam na água gelada.
Com as últimas forças de sua consciência vacilante, a mão de Elena deslizou pelo tecido encharcado do vestido e tateou o bolso interno, onde o envelope estanque com o segredo dos Vasconcellos ainda permanecia dobrado. Mas ao tocar o papel, seus dedos congelados sentiram algo mais—um pequeno objeto metálico preso ao fundo do tecido que Beatriz não vira quando a empurrou.
Era a chave mestra física do painel de emergência, colocada ali secretamente pelo pai de Lucas antes de morrer.
Elena tentou esticar os dedos para puxar o metal, mas seus pulmões cederam e a última bolha de ar escapou de sua boca, subindo em direção à superfície escura.
Lá em cima, o som ritmado do coração de Elena diminuiu no silêncio da água, até que sua mão sem forças atingiu o teto de ardósia uma última vez com um tapa abafado—e parou.