Parte 2: Pai confronta madrasta abusiva em adega e descobre conspiração assustadora oculta nos desenhos da filha traumatizada

Parte 2: Pai confronta madrasta abusiva em adega e descobre conspiração assustadora oculta nos desenhos da filha traumatizada

 Parte 2: Pai confronta madrasta abusiva em adega e descobre conspiração assustadora oculta nos desenhos da filha traumatizada

O sangue que escorria da lateral do caderno de desenhos não era vermelho, mas a tinta guache encharcada pelas lágrimas de Sofia era suficiente para manchar a madeira nobre da mesa. Há três meses, desde a morte repentina de sua mãe, a garotinha de cinco anos havia parado de falar. Ela apenas desenhava. Desenhos escuros, pontiagudos, sempre de uma mulher sem rosto segurando uma tesoura ao lado de uma gaiola.

Mateus achava que era apenas o duelo silencioso do luto infantil. Ele não sabia que a gaiola era uma metáfora real e que o carcereiro morava sob o mesmo teto.

Naquela noite, a adega subterrânea de basalto bruto parecia mais fria do que o normal. As luzes LED quentes reluziam nas garrafas de vinho perfeitamente alinhadas, projetando sombras longas sobre o piso de nogueira escura. Vanessa caminhava pela sala como uma pantera elegante em seu macacão de veludo ameixa profundo. O cinto de ouro brilhava à luz suave, mas seu olhar fixo na menina era puramente gélido.

— Vamos, garota imprestável. Arrume essa postura — sussurrou Vanessa, aproximando-se com passos inaudíveis. — Seu pai não está aqui para ver esse teatrinho.

Sofia encolheu os ombros pequeninos, o vestido de veludo cotelê verde-esmeralda tremendo enquanto suas mãos agarravam o lápis com força desesperada. No papel, o desenho de hoje revelava algo novo: um grande cofre com uma porta aberta e uma chave escondida dentro do urso de pelúcia que ela segurava no colo.

Vanessa inclinou-se, os olhos se estreitando ao notar o detalhe no papel. A respiração da mulher acelerou.

— Aonde você conseguiu essa informação? — a voz de Vanessa subiu um tom, desprovida de qualquer farsa maternal.

Sem esperar resposta, Vanessa fingiu ajeitar a fita de cabelo de Sofia. Mas no segundo seguinte, prendeu os dedos entre os fios castanhos da menina e puxou o laço com uma violência brutal, fazendo a cabeça da criança estalar para trás em um solavanco doloroso. Sofia soltou um grito agudo, um choro histérico que ecoou pelas paredes de pedra da adega.

O som do choro não chegou sozinho. Veio acompanhado pelo estrondo da porta pesada de carvalho sendo arremessada contra a parede.

Mateus surgiu na penumbra, os ombros largos tensionados sob o cardigan azul-marinho. Seu rosto, normalmente sereno, estava transformado por uma raiva ancestral. Em um único movimento contínuo, ele cruzou o ambiente e atingiu o pulso de Vanessa com um tapa seco, arremessando-a dois passos para trás.

— Tire as mãos dela! — a voz dele ressoou no espaço fechado como um trovão.

Vanessa cambaleou, cobrindo a mão atingida, o olhar oscilando entre a surpresa e a fúria simulada.

— Mateus! Ficou louco? Eu só estava arrumando o cabelo da sua filha! Ela está histérica por causa desse luto absurdo—

Mateus não ouviu. Ele caiu de joelhos no chão frio, envolvendo os braços fortes ao redor do corpo franzino de Sofia. Puxou a filha contra o peito, sentindo o peito dela arfar contra seu cardigan. O cheiro de sabonete infantil e medo era sufocante. Ele ergueu os olhos, encarando Vanessa com um veneno tão puro que a mulher deu mais um passo involuntário para trás. A mandíbula dele travou, os músculos do rosto contraídos em uma raiva perigosamente calculada.

— Atreva-se a tocar nela de novo! — rosnou ele, cada palavra pronunciada com uma precisão mortal.

Enquanto se escondia no peito do pai, Sofia levantou uma das mãos trêmulas. O choro sufocado transformou-se em um sussurro aterrorizado. Com o dedinho indicador pontilhado de tinta, ela apontou para o alto, em direção ao canto superior da adega, onde uma pequena cúpula preta de segurança estava montada no teto.

— Papai… — soluçou a garotinha, a voz rouca pela primeira vez em meses. — Ela apagou as câmeras da casa…

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Mateus ergueu os olhos para a câmera. O pequeno LED azul de status, que deveria piscar ininterruptamente, estava completamente apagado. Morto. Vanessa havia desativado o sistema de segurança principal antes de descer para a adega.

Um sorriso lento, gélido e profundamente sinistro começou a se formar no canto dos lábios de Mateus. A raiva descontrolada deu lugar a um triunfo assustador. Ele inclinou a cabeça levemente, encarando a mulher à sua frente.

— Azar o seu que meu telefone grava tudo em tempo real — disse ele, a voz fria como o basalto das paredes. Ele deslizou o polegar pela tela do celular que repousava no bolso aberto do cardigan, revelando a lente minúscula da câmera espionada que ele próprio havia instalado no abotoador de seu casaco na semana passada.

A cor fugiu instantaneamente do rosto de Vanessa. O ar fugiu de seus pulmões. Suas pupilas se dilataram em um pânico absoluto enquanto a magnitude da armadilha se revelava. Não era apenas o abuso infantil que estava gravado; no ângulo da lente oculta de Mateus, a tela do celular de Vanessa, pousada sobre a mesa de granito, brilhava com uma transferência bancária em andamento — utilizando a senha do cofre que ela acabara de tentar extorquir da menina.

— Não… Mateus, espere! Você não entende! — gaguejou Vanessa, dando passos em falso para trás, os saltos deslizando na madeira polida até ela tropeçar.

Mateus colocou Sofia cuidadosamente atrás de si e se levantou. Sua figura alta cobriu a luz que incidia sobre Vanessa.

— Fora da minha casa, agora! — urrou ele, avançando.

Em um surto de fúria e repulsa, Mateus empurrou Vanessa com força pelo ombro. O impacto a fez voar de costas contra a prateleira de vinhos raros. O som de madeira maciça estilhaçando e dezenas de garrafas de cristal se despedaçando no chão de madeira ecoou pelo subterrâneo como uma explosão.

— Você perdeu a cabeça! Seu desgraçado! — gritou Vanessa do chão, sangrando entre cacos de vidro e vinho derramado que parecia sangue fresco.

Mateus não respondeu. Ele apenas pegou Sofia no colo, mas quando se virou para sair, o urso de pelúcia da menina caiu no chão, desdobrando-se. De dentro do enchimento rasgado do brinquedo, não saiu apenas a chave do cofre.

Rolou pelo piso de madeira um pequeno frasco de vidro sem rótulo, idêntico ao que o médico da família afirmara ter sido a causa da parada cardíaca da falecida esposa de Mateus. E colado ao fundo do frasco, havia um bilhete dobrado com a caligrafia inconfundível do próprio Mateus.

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