Parte 9: Helena resgata o filho ao lado do falecido marido em um submarino sob ataque, apenas para descobrir revelações perturbadoras sobre sua família e um perigo iminente escondido nas sombras

Parte 9: Helena resgata o filho ao lado do falecido marido em um submarino sob ataque, apenas para descobrir revelações perturbadoras sobre sua família e um perigo iminente escondido nas sombras

 Parte 9: Helena resgata o filho ao lado do falecido marido em um submarino sob ataque, apenas para descobrir revelações perturbadoras sobre sua família e um perigo iminente escondido nas sombras

O ar nos pulmões de Helena congelou, mais cortante do que a água salgada que castigava seu rosto. Ela estancou no meio da marola, os braços prendendo o corpo do filho contra o peito com a força de um vício. A luz alaranjada das chamas no topo do penhasco refletia na máscara metálica do homem no submersível, distorcendo suas feições em uma miragem grotesca.

— Helena, não há tempo! — a voz grave e familiar ecoou pelo amplificador da máscara, misturando-se ao rosnado dos motores sob a água. — O scanner tático dos helicópteros já travou nas nossas coordenadas. Sobe!

O garoto cravou as unhas pequenas nos ombros de Helena, trepando em seu pescoço em um desespero mudo. O tremor que vinha do corpo da criança não era apenas pelo frio do Atlântico. Era pavor puro.

— Você disse que ele morreu… — sussurrou Helena, a voz rouca falhando contra o estalar das ondas. — Eu vi o relatório de autópsia. Eu vi o caixão fechar!

— O que você viu foi o que a Acharon precisava que você visse para se tornar a arma perfeita — o homem inclinou-se sobre a amurada do submarino, estendendo a luva tática reforçada. — O garoto está delirando pelo choque químico da purga. Se não me der a sua mão nos próximos dez segundos, o pulso sonar da frota que se aproxima vai romper os timpanos de vocês dois.

O cronômetro interno no pulso de Helena — um reflexo dos anos de treinamento — contava os segundos. Atrás deles, o som grave de motores de perfuração de profundidade ecoou pelo oceano. As bombas de cavitação haviam sido lançadas das aeronaves.

Sem escolha, Helena agarrou a haste metálica oferecida. A força pneumática da barra a guinchou para fora da água junto com a criança, arremessando-os sobre o convés antiderrapante do submersível. Antes mesmo que ela conseguisse se firmar sobre as pernas trêmulas, a escotilha superior fechou-se acima deles com um baque surdo, e o som de trancamento hidráulico selou o ambiente.

O ar no interior da embarcação cheirava a ozônio, óleo queimado e antisséptico hospitalar.

— Imersão de emergência. Atingir cinquenta metros antes da onda de choque — ordenou o homem de máscara, caminhando rapidamente em direção ao painel central de controle sem sequer olhar para trás.

O submarino inclinou-se violentamente para baixo. Segundos depois, uma vibração brutal sacudiu as paredes de titânio, acompanhada por um estrondo abafado que fez as luzes de emergência do corredor piscarem em um vermelho escarlate. As bombas de profundidade haviam atingido a área onde eles boiavam há instantes.

Helena caiu de joelhos no piso de grelha metálica, protegendo a cabeça do filho com o próprio corpo. O menino chorava sem som, os olhos opacos fixos no homem que agora retirava as travas laterais do capacete.

O metal da máscara soltou-se com um silvo de ar comprimido.

Quando o capacete foi removido, o rosto revelado fez o estômago de Helena dar um nó violento. Os traços eram indiscutivelmente do seu marido, Arthur: a cicatriz sutil acima da sobrancelha esquerda, os olhos cinzentos e a mandíbula marcada. No entanto, não havia o menor traço de calor ou reconhecimento naquele olhar. Era a expressão fria e analítica de um estranho.

— Você mudou, Helena — disse ele, jogando o capacete sobre o console. — O terno de contenção militar não combina com você.

— Quem é você? — Helena levantou-se devagar, os músculos das pernas protestando contra o esforço extremo. Ela posicionou o filho atrás de suas costas, cobrindo o corpo do garoto com o próprio torso. — O Arthur de verdade teria dado a vida por este menino. Ele nunca teria permitido que o transformassem em uma carcaça de combate!

Um sorriso gélido e sem humor curvou os lábios do homem.

— O Arthur que você conheceu era um perfil psicológico fabricado, minha cara. Um papel desempenhado para garantir que a matriz genética da mãe perfeita permanecesse estável até a gestação do Projétil Acharon — ele deu um passo à frente, e Helena notou que o pescoço dele estava marcado por conectores sinápticos idênticos aos do filho. — Eu não vendi nosso filho, Helena. Eu o entreguei para o único propósito pelo qual ele foi projetado para existir.

O garoto puxou a jaqueta molhada de Helena, a voz saindo como um chiado fraco: — Mamãe… o peito… tá queimando de novo.

Helena olhou para baixo e sentiu o sangue fugir de seu rosto. Sob a pele fina do tórax da criança, no mesmo local da marca em meia-lua, uma luz azulada e pulsação irregular começava a brilhar através da epiderme. A purga celular não fora cancelada quando ela removeu o módulo do exoesqueleto. Ela apenas entrara em um ciclo de maturação lenta.

— O fluido que o Diretor injetou nele não era um ácido para apagar evidências — disse Arthur, apontando para uma mesa cirúrgica automatizada no fundo do corredor do submarino. — É um reagente biológico de fusão. Ele só vai sobreviver se for conectado ao sistema de suporte à vida do submarino nos próximos três minutos.

— E qual é o preço dessa vez? — cuspiu Helena, os punhos fechados até as articulações ficarem brancas.

— O preço é simples — Arthur caminhou até o console de navegação e pressionou um comando. Uma tela holográfica projetou o mapa de uma instalação subterrânea oculta sob o gelo do Ártico. — O módulo que você carregou no seu corpo contém os códigos de acesso primários da rede Acharon. Conecte sua mente ao terminal central do submarino para transferir os dados, e eu salvo a vida do garoto.

Helena olhou para o painel de transferência neural. O cabo de conexão possuía agulhas epidurais projetadas para perfurar a espinha dorsal. Uma transferência daquele calibre apagaria irreversivelmente suas memórias e sua identidade, transformando-a em uma casca vazia.

— Ele tá mentindo, mamãe… — sussurrou a criança, a respiração cada vez mais ruidosa e entrecortada. — Se você ligar a máquina… os dois morrem. O submarino… não é dele.

Antes que Helena pudesse absorver as palavras do filho, o alarme de invasão de perímetro do submarino disparou com um som ensurdecedor. As paredes de metal da embarcação rangeram sob uma pressão externa colossal.

Nas telas de monitoramento externo, a imagem de algo aterrador surgiu através da água escura: não eram torpedos ou navios de guerra da Acharon. Era uma criatura orgânica gigantesca, uma massa de tecidos biológicos e placas de metal fundidas, idêntica aos bio-mecanismos que o Diretor criara, abraçando o casco do submarino e esmagando o titânio como se fosse uma lata de alumínio.

Pelo sistema de comunicação interno da própria embarcação — uma frequência totalmente isolada —, uma voz sussurrada e distorcida ressoou por todos os alto-falantes:

— Você achou que eu morri no penhasco, Helena? A Acharon não tem apenas um Diretor… e eu não estou do lado de fora do submarino.

No mesmo segundo, as luzes do submarino apagaram-se completamente, mergulhando o corredor em uma escuridão absoluta, exceto pelo brilho radioativo no peito do garoto e pelos olhos de Arthur, que subitamente brilharam com uma luz sintética avermelhada na penumbra.

Related articles

Recommended Video

Video