Parte 6: Roberto descobre a devastadora verdade sobre o sequestro de sua filha e a morte de sua esposa enquanto enfrenta uma corrida contra o tempo mortal

Parte 6: Roberto descobre a devastadora verdade sobre o sequestro de sua filha e a morte de sua esposa enquanto enfrenta uma corrida contra o tempo mortal

 Parte 6: Roberto descobre a devastadora verdade sobre o sequestro de sua filha e a morte de sua esposa enquanto enfrenta uma corrida contra o tempo mortal

Roberto tentou se arrastar para longe do portão, mas as costas queimavam com a dor da pancada e as pernas simplesmente não respondiam. O cheiro de gasolina e metal queimado impregnava o ar, disputando espaço com a fumaça tóxica da mansão que ainda ardia em chamas no horizonte. Ele piscou com força, tentando limpar a fumaça dos olhos para encarar a figura da filha. Sofia continuava sentada na terra, perfeitamente ereta, encarando-o com o olhar prateado e sem vida de uma estranha.

— Sofia… — murmurou ele, a voz não passando de um sussurro arranhado. — Querida, você está me ouvindo?

A garotinha levantou-se num movimento fluido, unnatural para uma criança da sua idade. Ela não chorava, não tremia e não demonstrava o menor sinal do Pânico que a paralisara minutos atrás. Apenas deu dois passos lentos em direção ao pai, estendendo a mãozinha em um gesto mecânico.

— O tempo do jogo acabou, papai — disse a menina. A voz era de Sofia, mas a entonação, o ritmo e o timbre pertenciam, sem dúvida alguma, à mulher que ele acreditara ter morrido no acidente aéreo.

Roberto sentiu o sangue gelar. A substância na seringa não era um antídoto e tampouco um veneno comum; era uma neurotoxina indutora de transe e sugestão, um projeto sobre o qual ele ouvira falar brevemente anos atrás nas pastas confidenciais da esposa. Helena não queria apenas matar ou salvar a filha: ela havia transformado Sofia em um porta-voz consciente de seus comandos.

Antes que Roberto pudesse tocar a mão da filha, um passo pesado ecoou no cascalho da estrada escura, bem na abertura do portão de ferro. Uma sombra alta e esguia avançou através da nuvem de fumaça, revelando-se sob a luz fraca das chamas do imóvel.

Não era um estranho. Era o Dr. Alencar, o médico da família e padrinho de Sofia — o mesmo homem que havia assinado o atestado de óbito de Helena semanas atrás.

— Você demorou a tomar a decisão, Roberto — disse Alencar, sacando uma pistola preta e apontando-a com firmeza para o peito dele. — A Helena apostou que você escolheria a garota. Eu apostei que você tentaria salvar as duas. Aparentemente, minha querida amiga conhecia o marido melhor do que eu.

A cunhada de Roberto, ainda caída no gramado, deixou escapar um gemido sufocado de pânico. Ela se arrastou até o irmão, agarrando a barra da calça dele com as mãos trêmulas e manchadas de fuligem.

— Ele estava no avião… — sussurrou a jovem, dentes batendo de pavor. — O Alencar ajudou a forjar a queda… Roberto, não deixa ele chegar perto da Sofia!

— Calada! — rosnou o médico, sem desviar a arma de Roberto. — O soro aplicado na Sofia é temporário, Roberto. Em dez minutos, o efeito neurológico colapsa e o coração dela para de bater definitivamente. Mas existe um segundo reagente. Um estabilizador que só eu tenho.

Roberto apoiou os cotovelos na terra, forçando o corpo a se levantar contra a dor lancinante nas costelas. O instinto paterno sobrepôs-se ao choque e à exaustão.

— O que você quer? — exigiu Roberto, dando um passo cambaleante para se colocar entre o médico armado e as duas mulheres. — Me leva no lugar dela. Deixa a minha filha em paz!

— A Helena não quer você morto, Roberto. Ainda não — Alencar sorriu, um sorriso sem dentes, frio e calculista. Ele enfiou a mão livre no bolso do sobretudo e tirou um pequeno pen-drive prateado, jogando-o na terra aos pés de Roberto. — Ela quer que você termine o trabalho. O arquivo aí dentro contém as coordenadas do laboratório submerso na costa. Você tem quarenta e oito horas para entregar o protótipo que sua sogra escondeu antes da mansão queimar. Se falhar, o estabilizador nunca será aplicado na Sofia.

Sofia deu mais um passo à frente, alinhando-se ao lado do médico. Ela olhou para o pen-drive no chão e depois para o pai, a expressão vazia, o olhar metálico refletindo o fogo da mansão.

— Aceite os termos, Roberto — disse a voz da filha, carregada com a frieza de Helena. — Ou assista ao funeral da nossa filha pela segunda vez.

Alencar deu dois passos para trás, puxando Sofia pelo braço sem que a menina oferecesse qualquer resistência. Ele abriu a porta traseira de um segundo veículo estacionado na penumbra da estrada e empurrou a garotinha para dentro.

— Não! Sofia! — gritou Roberto, avançando desesperadamente, esquecendo a dor e a ameaça da arma.

Alencar não atirou em Roberto. Em vez disso, apontou a pistola para a cunhada dele, caída no chão, e puxou o gatilho sem hesitar.

O estampido seco do disparo cortou a noite deserta, e o corpo da jovem deu um sobressalto violento antes de ficar imóvel sobre o gramado.

— Uma testemunha a menos — disse o médico, entrando rapidamente no carro e acelerando pela estrada de terra, desaparecendo na escuridão enquanto as lanternas traseiras sumiam na curva.

— Não, não, não! — urrou Roberto, correndo em direção ao corpo da cunhada.

Ele caiu de joelhos ao lado da jovem, pressionando as mãos contra o peito dela para estancar o sangue que escorria rapidamente. Mas quando ele olhou de perto para o rosto da cunhada, o choque o paralisou novamente.

A luz das chamas revelou uma cicatriz cirúrgica profunda na linha do cabelo da jovem — a exata mesma cicatriz que Helena fizera na infância após uma queda de bicicleta.

A mulher morrendo em seus braços não era a cunhada. Era a própria Helena.

Os olhos da mulher se abriram com dificuldade, marejados de lágrimas e sangue. Ela agarrou o colarinho da camisa de Roberto com as poucas forças que lhe restavam e puxou-o para perto de seus lábios.

— Ele… ele me enganou… — sussurrou Helena, a voz falhando à medida que a vida escapava de seu corpo. — A mulher no telefone… não era eu, Roberto… era a minha irmã… usando um modulador de voz… Elas trocaram de lugar na clínica…

Roberto prendeu a respiração, o mundo girando ao seu redor enquanto a terrível verdade se reconstruía em sua mente como um quebra-cabeça macabro. A esposa que ele achava que o havia traído fora a vítima o tempo todo. E a mulher que levara sua filha na escuridão da noite era a verdadeira mente por trás da destruição de sua família.

— Roberto… — tossiu Helena, o aperto em sua camisa enfraquecendo rapidamente. — O pen-drive… é uma armadilha… Não vá para o laboratório… Procure o…

O corpo de Helena relaxou subitamente, os olhos fixos no céu estrelado, sem vida.

Roberto permaneceu imóvel na escuridão, com o corpo da esposa nos braços e as mãos cobertas de sangue. O silêncio da noite foi quebrado apenas pelo estalar da fogueira que consumia a mansão ao fundo e pelo som do vento nas árvores.

Ele olhou para a terra batida a poucos centímetros de sua joelho. O pen-drive prateado deixado pelo médico brilhava sob a luz da lua.

Roberto estendeu a mão trêmula, pegou o pequeno dispositivo de memória e fechou o punho com força. Ele se levantou devagar, encarando a estrada deserta por onde a irmã de Helena havia levado sua filha.

Quando deu o primeiro passo em direção ao seu carro destruído na entrada da propriedade, uma luz fraca piscou dentro do próprio pen-drive em sua mão. Um pequeno visor digital de LED escondido na lateral do metal acendeu repentinamente, iniciando uma contagem regressiva em números vermelhos brilhantes:

00:59:59… 00:59:58…

Related articles

Recommended Video

Video