Parte 6: Após ter segredos devastadores e a farsa de Elena revelados entre os escombros em chamas, Lucas descobre que seu pai dado como morto está vivo e enfrenta uma teia mortal de acusações e traições

Parte 6: Após ter segredos devastadores e a farsa de Elena revelados entre os escombros em chamas, Lucas descobre que seu pai dado como morto está vivo e enfrenta uma teia mortal de acusações e traições

 Parte 6: Após ter segredos devastadores e a farsa de Elena revelados entre os escombros em chamas, Lucas descobre que seu pai dado como morto está vivo e enfrenta uma teia mortal de acusações e traições

A vibração do celular contra as tábuas quebradas parecia o único som vivo em meio ao crepitar do fogo no andar superior. Lucas encarou a tela trincada, com as letras luminosas queimando sua retina como ferro em brasa. A respiração dele engasgou. Ele olhou para Elena, estendida ao seu lado, e depois para a própria mão suja de fuligem e sangue.

«Não… isso é impossível…», sussurrou ele para o vazio fumegante, a voz embargada pelo pavor.

Antes que pudesse processar a mensagem, o gravador cassete dentro da caixa emitiu um estalo seco. O mecanismo interno, ativado pelo próprio impacto da queda, começou a girar suavemente. Uma fita magnética gasta passou pelos cabeçotes, e o chiado característico de uma gravação antiga preencheu o espaço confinado sob o deque.

«Se você está ouvindo isso, Lucas… significa que Beatriz finalmente tentou apagar os rastros do nosso passado.» A voz grave e pausada de Arthur Vasconcellos ecoou, ecoando com uma clareza aterrorizante. «O garoto que você acredita ter sido seu irmão… o filho que Elena chora até hoje… nunca morreu naquele acidente de carro. Eu o levei. E a pessoa que mandou cortar os freios daquele veículo naquela noite… está ao seu lado neste exato momento.»

O ar fugiu completamente dos pulmões de Lucas. Ele se virou lentamente para Elena.

O corpo dela, antes imóvel e frio, soltou um suspiro profundo e descompassado. Os olhos dela se abriram de golpe, negros e fixos nele, sem o menor traço da fragilidade ou da dor de segundos atrás. O sangue no canto de sua boca não passava de uma mancha escura sob a luz das chamas. Ela piscou, encarando o rosto de Lucas com uma frieza cirúrgica que ele jamais vira nela.

Elena se sentou com uma calma sobrenatural, ignorando os escombros ao redor, e estendeu a mão em direção ao celular que ainda brilhava no chão.

«Você não deveria ter aberto a caixa, Lucas», disse ela, a voz perfeitamente firme, sem nenhum tremor.

«Elena… o que significa isso?», gaguejou Lucas, recuando alguns centímetros sobre os cacos de vidro. «O bebê… o sangramento… o seu gesso…»

Com um movimento rápido e sem hesitação, Elena segurou a borda do gesso emaranhado em sua perna e o puxou para o lado. A estrutura de atadura e resina, estrategicamente cortada por dentro, abriu-se como uma casca oca. Por baixo, sua perna estava completamente intacta. Ela se levantou sobre os dois pés com facilidade, ajustando o casaco sujo de fuligem enquanto pegava o telefone.

O coração de Lucas parecia querer rasgar seu peito. A mulher por quem ele arriscara a vida nas últimas horas, a vítima indefesa que ele carregara nos braços, não existia.

«A gravidez era real, Lucas», disse Elena, olhando-o do alto com um desdém congelante. «Mas o pai nunca foi você. E o ‘resgate’ da piscina… tudo foi calculado para que Beatriz destruísse a si mesma tentando me calar.»

Um estalo alto ecoou acima deles quando uma viga de madeira em chamas despencou do teto, atingindo o chão a poucos metros de distância. Faíscas voaram pelo ar, iluminando o sorriso sombrio que se formava nos lábios de Elena.

«Você acha que é o herói dessa história?», continuou ela, dando um passo em direção à saída dos fundos, onde a penumbra do jardim oferecia uma rota de fuga. «Seu pai criou uma teia de mentiras, mas foi você quem assinou a ordem de transferência bancária que financiou a morte do meu pai há cinco anos. O gravador não mentiu. Você é o monstro aqui.»

«Eu não assinei nada! Eu nem estava no país!», gritou Lucas, levantando-se de golpe, a raiva finalmente se sobrepondo ao choque.

Elena não respondeu. Ela apenas ergueu o celular e apertou o botão de reprodução de um arquivo de áudio recebido há poucos minutos. A voz do próprio Lucas, límpida e inquestionável, ecoou pelo alto-falante do aparelho: «Certifique-se de que o carro não chegue ao destino. A parte da Elena pode ser paga depois que o corpo for enterrado.»

Lucas deu dois passos para trás, sentindo o chão fugir sob seus pés. Aquela era a sua voz. O tom, a entonação, os vícios de linguagem — era ele. Mas ele nunca dissera aquelas palavras.

Antes que ele pudesse dar mais um passo em direção a ela, o som de passos pesados e apressados ecoou no corredor queimado acima. Passos de botas táticas sobre a madeira chamuscada.

«Ela está lá embaixo! Encontrem a mulher e o rapaz!», gritou uma voz masculina, profunda e autoritária, vinda do andar superior. Não era a polícia local. Eran vozes que Lucas reconheceu imediatamente: os seguranças particulares da holding da família Vasconcellos, homens que respondiam apenas ao conselho diretor.

Elena olhou na direção do som e depois para Lucas. «Eles não vieram para me resgatar, Lucas. Vieram para terminar o trabalho que sua mãe começou.»

Sem esperar por uma reação, Elena girou sobre os calcanhares e correu para a passagem secreta de escoamento sob o jardim, desaparecendo na escuridão da noite.

Lucas fez menção de ir atrás dela, mas uma figura emergiu da névoa de fumaça na entrada do deque arruinado. Um homem alto, de terno escuro sob o colete à prova de balas, empunhando uma pistola com silenciador. Ele não parecia surpreso com a destruição ou com os escombros.

O homem baixou a arma ligeiramente, encarando Lucas com um olhar carregado de um conhecimento antigo.

«Você demorou para encontrar a caixa, garoto», disse o homem, a voz áspera como lixa. Ele ergueu a mão livre e retirou o distintivo do bolso, jogando-o aos pés de Lucas. O metal brilhou sob a luz do fogo: o nome gravado no distintivo era Arthur Vasconcellos.

O pai de Lucas. O homem que deveria estar morto há dez anos estava parado à sua frente, vivo, vestindo o uniforme da segurança corporativa.

«Temos trinta segundos antes que o resto do conselho exploda o que sobrou deste lugar», disse Arthur, mantendo a voz terrivelmente calma. «Se você quiser descobrir por que a sua voz estava naquele áudio e por que a mulher que você ama acabou de selar a sua sentença de morte, venha comigo agora.»

No mesmo instante, o bipe de alerta do celular de Elena, que ela deixara cair na pressa da fuga, soou novamente no chão. Lucas olhou para a tela acesa uma última vez antes que o pai o puxasse pelo braço. A mensagem na tela não era de um desconhecido, mas de um número que Lucas conhecia de cor — o seu próprio número de telefone:

O plano funcionou. Lucas está preso na armadilha. Pode mandar o sinal para incinerar o perímetro.

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