Parte 5: Revelação chocante de Helena força Roberto a enfrentar escolhas mortais para salvar sua filha em meio a explosões e manipulações cruelmente arquitetadas
Roberto travou no lugar, a respiração presa na garganta enquanto a fumaça tóxica da mansão em chamas subia ao céu. Aquela voz não vinha da sogra. Tampouco era da jovem ensanguentada a seu lado. Era a voz exata, com o mesmo tom macio e as pausas suaves, de sua esposa.
— Helena? — o nome escapou dos lábios de Roberto num sopro desesperado, o coração golpeando as costelas com tanta força que doía.
A jovem no gramado puxou o ar com violência e tentou arrancar o telefone do próprio bolso para jogá-lo longe, mas Roberto agiu rápido. Ele se projetou sobre a grama, prendeu o pulso da cunhada e tomou o aparelho satelital, colando o receptor ao ouvido.
— Onde você está? — exigiu ele, a voz rouca pela fumaça e pela adrenalina. — Helena, fala comigo! Que loucura é essa?
— O soro no frasco, Roberto… — disse a voz através do chiado de estática, distante e serena, ignorando completamente as perguntas dele. — O soro que você aplicou na Sofia não era a cura para o gás. Era o reagente.
Roberto olhou para a filha em seus braços. As marcas avermelhadas na pele da garotinha haviam desaparecido completamente, mas agora a respiração de Sofia estava estranhamente lenta. Lenta demais. O peito pequeno subia e descia a intervalos de longos, terríveis segundos. A pele do rosto da menina começava a adquirir um tom pálido e azulado, como se o próprio sangue estivesse congelando dentro de suas veias.
— O que você fez? — urrou Roberto, caindo de joelhos sobre a terra batida, o pânico tomando conta de cada célula do seu corpo. — O que você colocou naquele frasco?
A risada que veio do telefone foi gélida, destituída de qualquer humanidade.
— A minha mãe achava que estava no controle de tudo, mas o império nunca foi dela — continuou a voz. — Ela achou que tinha me matado naquele avião, assim como achou que tinha trancado a minha irmã para sempre naquela parede. Mas fui eu quem preparou cada frasco no cofre. Fui eu quem chamei você até essa mansão hoje.
A irmã gêmea de Helena, caída na grama, cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar baixinho, encolhendo-se como um bicho encurralado.
— Ela mentiu pra você, Roberto… — soluçou a jovem, com o rosto manchado de fuligem e sangue. — Ela planejou isso desde o início. A Helena nunca quis nos salvar. Ela usou a mim, usou a mãe… e usou você!
Um estalo alto ecoou nas proximidades. No portão de ferro do imóvel, a trinta metros de distância, os faróis potentes de um SUV preto acenderam de repente, cortando a escuridão do caminho de terra e iluminando os três diretamente. O motor do veículo roncou alto, acelerando no ponto morto.
Roberto apertou o corpo da filha contra o peito, a mente trabalhando em desespero enquanto tentava raciocinar. Se o soro aplicado não era a cura, Sofia tinha apenas poucos minutos antes que o reagente paralisasse totalmente seu sistema respiratório.
— Você quer a sua filha viva, Roberto? — perguntou a voz no telefone, com uma calma aterradora. — Então olhe para o carro no portão. O antídoto verdadeiro está no banco do passageiro. Mas você só tem tempo para salvar uma pessoa antes que o reagente pare o coração da Sofia para sempre.
— Do que você está falando? — gritou Roberto, levantando-se com a menina nos braços, dando um passo cambaleante em direção aos faróis do SUV.
— Se você der mais um passo em direção ao carro para pegar o antídoto, o detonador remoto sob o corpo da minha irmã vai disparar — revelou a voz, fria e sem oscilação. — A carga de C4 enterrada sob o gramado onde ela está deitada vai reduzir vocês duas a poeira. Escolha agora, meu amor: a filha que você tanto ama ou a irmã que sabe onde todos os meus segredos estão escondidos?
Roberto parou imediatamente. Ele olhou para baixo. A poucos centímetros do pé direito da cunhada, meio coberta por folhas secas e terra revirada, uma pequena luz vermelha começou a piscar ritmicamente no chão.
A jovem olhou para a luz piscante e depois para Roberto, os olhos arregalados em puro pânico.
— Roberto… não me deixa morrer aqui… — suplicou ela, a voz falhando. — Eu sei onde estão as provas contra ela! Eu sei como parar a Helena!
A respiração de Sofia parou por completo. O corpo da garotinha ficou totalmente mole nos braços de Roberto, o peito imóvel. O tempo havia acabado.
Roberto fechou os olhos por uma fração de segundo, sentindo o mundo ruir sob seus pés, tomar uma decisão brutal que mudaria tudo. Ele deu um passo largo para trás, afastando-se da área da mina, e correu desesperadamente em direção ao SUV.
A irmã gêmea deu um grito agudo de traição quando a luz vermelha no chão mudou de padrão, piscando três vezes mais rápido.
Roberto alcançou a porta do passageiro do SUV, escancarou-a com violência e pegou uma seringa já preparada que descansava sobre o estofado de couro. Sem hesitar um milésimo de segundo, ele cravou a agulha diretamente no peito de Sofia, injetando todo o conteúdo líquido na garotinha.
Um estrondo ensurdecedor ecoou atrás dele, mas não veio do chão onde a cunhada estava.
A explosão aconteceu no próprio motor do SUV.
A força do impacto no capô do carro arremessou Roberto para longe. Ele bateu com as costas violentamente contra o portão de ferro e caiu no chão, a visão turva e os ouvidos zumbindo sem parar.
Através da fumaça do motor destruído, Roberto tentou se focar. A cunhada ainda estava viva no gramado — a luz vermelha fora apenas um alarme falso para testar a lealdade dele. Mas Sofia, caída a poucos centímetros das mãos dele, abriu os olhos subitamente.
Os olhos da garotinha não eram mais castanhos. As pupilas da menina estavam completamente dilatadas e cobertas por um tom prateado e não natural.
Sofia sentou-se na grama devagar, sem emitir um único som, olhando para o pai com um sorriso calmo que Roberto conhecia muito bem.
O telefone satelital, caído na terra a poucos centímetros da mão de Roberto, chiou uma última vez antes de a linha ser cortada, revelando o clique de uma porta de metal se abrindo logo atrás dele, na escuridão da estrada deserta.