Parte 5: Helena descobre seu próprio corpo desacordado em um hospital corrompido antes de despencar para um abismo temporal controlado por sua mãe

Parte 5: Helena descobre seu próprio corpo desacordado em um hospital corrompido antes de despencar para um abismo temporal controlado por sua mãe

 Parte 5: Helena descobre seu próprio corpo desacordado em um hospital corrompido antes de despencar para um abismo temporal controlado por sua mãe

A mão de Gabriel pesava em seu ombro como chumbo derretido, o calor do toque contrastando violentamente com o frio sepulcral que irradiava das paredes do hospital. Helena tentou recuar, mas seus calcanhares pareciam soldados ao linóleo encerrado do corredor, onde a única trilha sonora era o bipe mecânico e inexorável do monitor cardíaco lá dentro.

— Isso não faz sentido — sussurrou ela, a voz saindo como um sopro trêmulo enquanto seus olhos saltavam da figura impecável do guarda-costas à sua frente para o corpo desacordado de si mesma na penumbra do quarto. — Se eu estou aqui… quem é aquela na cama?

Gabriel abriu a boca para responder, mas nenhum som saiu. Em vez disso, o teto de gesso acima deles começou a estalar com o som de gelo quebrando sob pressão. Rachaduras profundas serpentearam pelas lâmpadas fluorescentes, que explodiram uma a uma em chuvas de faíscas brancas, mergulhando o corredor em uma escuridão quase total, rasgada apenas pelo brilho rítmico e vermelho do monitor cardíaco.

O bipe, antes lento, acelerou de repente, transformando-se num som contínuo e agudo que vibrava diretamente nos dentes de Helena.

— Ela acordou — a voz de Gabriel sibilou, perdendo a compostura humana, tornando-se áspera e mecânica, como engrenagens rangendo sem óleo.

Através da fresta da porta, a Helena deitada na cama deu um solavanco violento, as costas arqueando-se para longe do colchão em um espasmo impossível. Os olhos que se abriram não tinham íris ou pupilas; eram duas superfícies espelhadas, refletindo o próprio corredor escuro e, pior, refletindo uma terceira Helena que espreitava logo atrás deles, sorrindo na escuridão.

Antes que Helena pudesse girar o corpo para encarar o reflexo às suas costas, a mão de Gabriel em seu ombro se transformou em garras de ferro que a empurraram com força brutal para dentro do quarto.

O impacto contra o chão de azulejos frios tirou-lhe o ar dos pulmões. Quando Helena ergueu o rosto, o hospital havia desaparecido.

Ela estava de joelhos no centro de um salão circular imenso, cujas paredes eram formadas por milhares de relógios de bolso gigantescos, todos funcionando ao contrário, com os ponteiros girando em um frenesi tiquetaqueante. No centro da sala, sentada na mesma cadeira de balanço da visão anterior, a mulher idosa com o colar de âmbar parou de tecer o fio vermelho. Ela virou o rosto cego na direção de Helena e, abrindo um sorriso sem dentes, levantou a mão direita.

Na palma da velha, repousava o olho dourado de Gabriel, ainda piscando lentamente, mas agora cravado no centro de uma palma humana ensanguentada — a mão da própria mãe de Helena.

— Você demorou a encontrar o caminho de casa, minha filha — disse a velha, e a voz que ecoou pelas paredes não era de uma idosa, mas um coral sussurrado de centenas de vozes idênticas.

O chão sob Helena cedeu de imediato. Não houve tempo para gritar enquanto ela despencava no abismo escuro entre os relógios gigantes, sentindo o vento arrancar o casaco de seus ombros, enquanto lá em cima, no teto do mundo que desabava, a silhueta de Gabriel se fechava em um abraço mecânico com a outra versão de si mesma, selando a queda para sempre.

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