Parte 4: Tensão máxima na mansão dos Vasconcellos com invasão da polícia federal, traição armada e o misterioso ressurgimento de Elena após blackout total

O estalo da ardósia estilhaçando sob a pressão da água congelou a respiração de todos no mirante. Lucas avançou um passo sobre o piso molhado, com as mãos crispadas em punhos, mas o som seco de metal contra metal o paralisou. Marcus não tirou a mira do peito de Beatriz, embora o suor frio já sulcasse a cicatriz em sua bochecha. «Não há para onde correr, dona Beatriz,» rosnou Marcus, o dedo oscilando perigosamente sobre o gatilho da pistola. «As sirenes que estão subindo a serra não são da polícia convencional. São da divisão federal. E eles sabem exatamente sobre a fundação falsa no subsolo.» Beatriz soltou uma risada seca, o som ecoando gélido contra as paredes de vidro da mansão. Com um movimento lento, ela ergueu o pulso esquerdo, revelando um visor holográfico que exibia uma contagem regressiva em números vermelhos. Faltavam exatamente quarenta e dois segundos para o sistema principal de criptografia da holding se autodestruir, levando com ele todas as provas das transações ilegais da família. «Você é um tolo patético, Marcus,» murmurou Beatriz, fitando o antigo funcionário com desdém absoluto. «Acha que comprou lealdade com o dinheiro que roubou do caixa dois? Olhe para o seu segundo homem.» Marcus virou-se de relance na fração de segundo exata. O capanga à sua esquerda já não apontava a arma para a patroa, mas sim para a nuca do próprio líder, com o cano do fuzil a centímetros da pele. O silêncio que se seguiu foi cortado apenas pelo barulho estridente das sirenes federais cruzando o portão principal, cujos portões blindados desabaram para dentro sob o impacto de um camburão da polícia. No mesmo instante, sob a superfície escura do reservatório, o corpo submerso de Elena realizou um movimento espasmódico: seus olhos abriram-se debaixo d’água, injetados de um brilho metálico e artificial, enquanto sua mão cravava as unhas diretamente nos cabos de alta tensão rompidos do sistema. Um clarão azulado cegou o pátio inteiro. A energia da mansão colapsou em uma fração de segundo, mergulhando a propriedade na mais completa escuridão, pontilhada apenas pelos giroscópios vermelhos e azuis da polícia que cercava o perímetro. Na penumbra absoluta, um grito sufocado ecoou perto da piscina, seguido pelo som abafado de um corpo despencando contra o piso de pedra. «Lucas!» A voz de Beatriz soou distante e cortante na escuridão, vinda de perto da saída de emergência. «Se você quer saber quem realmente matou seu pai, pergunte à mulher que você pensou ter afogado… se ela ainda tem o pulso esquerdo.» O feixe de uma lanterna tática rompeu a neblina, iluminando o corpo estendido de bruços na borda da ardósia. Mas a blusa de Elena estava vazia, e no chão, brilhando com o sangue fresco que não era dela, repousava apenas um comunicador militar ativado e uma aliança de ouro com as iniciais de Beatriz cravadas ao contrário.

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