Parte 4: Conspiração revelada, prisão da alta sociedade e explosão transformam gala exclusiva em cenário de caos e ameaça à maternidade

O oxigênio sumiu do peito de Maya no exato milésimo de segundo em que os dedos de Helena apertaram a sua traqueia. A dor física do estrangulamento misturou-se com a revelação brutal piscando na tela do celular, jogada no chão de epóxi. O testamento, a morte do sogro, a conspiração para assassinar o neto: tudo fazia sentido. O choque paralisou a matriarca por uma fração de segundo, tempo suficiente para Maya canalizar cada gota de adrenalina em seus punhos.

Com um impulso feroz, Maya cravou os cotovelos contra o estômago de Helena, que soltou um arquejo estrangulado e cambaleou para trás, despencando desajeitada sobre os cacos de cerâmica da tigela quebrada.

— Mãe! — berrou Rodrigo, ainda tentando limpar o gelo e a sopa dos olhos, tateando o ar às cegas.

Ignorando a tontura, Maya agachou-se com agilidade surpreendente, ignorando o peso da gravidez, e recolheu o aparelho celular do chão. A tela brilhava na penumbra da galeria, exibindo o relatório do legista particular em letras maiúsculas: DOSES LETAIS DE POLÔNIO DETECTADAS NO SANGUE DA VÍTIMA E NA AMOSTRA DA NORA.

O salão inteiro emudeceu. Os cem convidados da alta sociedade já não sussurravam; recuavam em bando, horrorizados com a carnificina que se desenrolava diante deles.

— Você envenenou o seu próprio pai, Rodrigo! — a voz de Maya cortou o silêncio como vidro quebrado, erguendo o telefone no alto para que todos vissem. — E tentou fazer o mesmo comigo e com este bebê!

Rodrigo conseguiu finalmente abrir os olhos vermelhos, a pele do rosto em carne viva por causa do líquido fervente. O pânico substituiu a arrogância em suas feições. Ele deu dois passos em falso, erguendo as mãos em sinal de rendição.

— Mentira! É uma armadilha dela! Maya enlouqueceu, ela perdeu o juízo! — gaguejou o herdeiro, olhando desesperado para os convidados que agora sacavam os celulares para filmar.

Antes que Rodrigo pudesse inventar outra mentira, o som pesado de botas táticas ecoou pela entrada principal da galeria de arte. As portas de vidro duplo, antes trancadas para a gala exclusiva, foram arremessadas para dentro. Quatro oficiais da Polícia Federal, com distintivos brilhantes e armas em punho, invadiram o salão.

— Rodrigo Vance e Helena Vance, vocês estão presos por homicídio doloso, conspiração e tentativa de infanticídio! — ordenou o delegado à frente, apontando o distintivo diretamente para o casal.

Helena, ainda caída entre os cacos de vidro com o vestido manchado de sangue e sopa, levantou a cabeça lentamente. O seu olhar gélido não demonstrava arrependimento, apenas um ódio mortal direcionado a Maya. Ela abriu um sorriso macabro e ensanguentado.

— Você acha que venceu, garota? — sussurrou a matriarca, a voz sibilina ecoando pelo salão silencioso enquanto os policiais se aproximavam para algemá-la. — Nós caímos, mas o verdadeiro dono daquele testamento nem sequer nasceu… e ele nunca vai herdar um centavo de uma assassina.

Maya sentiu o sangue gelar nas veias. O bebê deu um chute violento em seu ventre, quase tirando-lhe o equilíbrio. Um calafrio percorreu sua espinha ao perceber que a polícia estava ali, os criminosos estavam algemados, mas Helena parecia ter um trunfo secreto.

Antes que os policiais pudessem algemar Rodrigo, o herdeiro soltou uma risada histérica, cuspindo sangue no chão de epóxi. Ele meteu a mão trêmula no bolso interno do paletó encharcado e tirou um pequeno controle remoto preto, pressionando o botão central com força.

Um estrondo ensurdecedor rugiu sob o piso da galeria. As paredes de vidro começaram a tremer e as luzes piscaram violentamente antes de apagarem por completo, mergulhando o salão em uma escuridão absoluta. No meio do caos, o celular de Maya, ainda em sua mão, vibrou com uma nova notificação de seu sistema de segurança residencial: Alerta de invasão na maternidade onde você fará o pré-natal amanhã. Acesso negado por senha mestre.

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