Parte 4: Após fugir da polícia e descobrir uma golpe bilionário, Helena encara a traição de Gabriel e o chocante retorno de seu pai ao ser encurralada à mão armada no píer

Parte 4: Após fugir da polícia e descobrir uma golpe bilionário, Helena encara a traição de Gabriel e o chocante retorno de seu pai ao ser encurralada à mão armada no píer

 Parte 4: Após fugir da polícia e descobrir uma golpe bilionário, Helena encara a traição de Gabriel e o chocante retorno de seu pai ao ser encurralada à mão armada no píer
  • Helena deu três passos rápidos para trás, escondendo o envelope pardo dentro da bolsa enquanto a porta de vidro do restaurante era desferida com violência. O impacto do metal contra o portal fez o cristal tremer. Os agentes que acabavam de entrar não eram os mesmos que haviam levado Sônia e Roberto; seus rostos eram rígidos, marcados pela determinação cega de quem cumpre uma ordem de captura imediata.

    — Helena Martins! Mãos onde possamos ver! — gritou o inspetor à frente, sacando o distintivo e a arma em um único movimento fluido. — Não tente nenhuma bobagem!

    O restaurante virou um caos de gritos abafados. Os últimos garçons se esconderam atrás do balcão de mármore. Helena sentiu o chão fugir sob seus pés. O bebê deu um chute forte em seu ventre, uma pontada de dor que a fez dobrar o corpo por um segundo. A traição de Gabriel queimava em suas veias como ácido, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto. Ela olhou para a esquerda: a porta da cozinha estava semiaberta, revelando a penumbra do corredor de serviço.

    Sem hesitar, ela se virou e correu.

    — Parada! — a ordem ecoou, seguida pelo som ensurdecedor de passos pesados cruzando o salão.

    Helena empurrou a porta dupla de inox com todo o peso do corpo, invadindo a cozinha industrial. O cheiro de gordura e produtos químicos impregnava o ar. Ela derrubou uma prateleira metálica cheia de panelas pesadas logo atrás de si, criando uma barreira improvisada de barulho e metal retorcido que atrasou os policiais por alguns segundos valiosos. O som dos agentes tropeçando e praguejando deu a ela o fôlego necessário para alcançar a saída de emergência nos fundos.

    A porta de ferro dava para um beco estreito e chuvoso. A chuva fina batia em seu rosto, misturando-se com as lágrimas frias que ela recusava deixar cair. Com os sapatos na mão, Helena correu pela lama da travessa escura, o coração martelando contra as costelas a ponto de sufocá-la. Ela só parou ao dobrar a esquina de uma avenida movimentada, misturando-se aos pedestres sob os guarda-chuvas coloridos.

    Entrando em uma cabine telefônica antiga e quebrada para se abrigar do vento, ela pegou o celular com as mãos trêmulas e abriu o aplicativo do banco. A tela carregou lentamente sob a luz fraca da rua. Quando os números surgiram, o estômago de Helena deu um nó. Sua conta corrente estava zerada. Mas não apenas isso: havia uma transferência pendente de quinhentos mil reais vinda de uma conta associada a um laboratório clandestino — o exato valor do lote de veneno que matara o patriarca Cavalcanti.

    Gabriel não apenas a roubara; ele montara uma teia perfeita para incriminá-la como a mente por trás do assassinato e da venda da empresa. Ela era a bucha de canhão perfeita.

    Uma vibração forte no aparelho fez Helena dar um pulo. Não era uma chamada, mas uma mensagem enigmática de um número restrito.

    “Se você quiser sair viva da cidade nas próximas duas horas, vá até o píer 4. Não confie na polícia. O Gabriel não está indo para Zurique.”

    O ar faltou nos pulmões de Helena. Ela olhou para os dois lados da avenida. Luzes azuis de viaturas cortavam a neblina a três blocos de distância, avançando metodicamente, de quarteirão em quarteirão, fechando o cerco.

    Sem outra opção, ela caminhou apressada em direção ao porto. O cheiro de maresia e óleo queimado aumentava à medida que se aproximava dos galpões abandonados do píer. As lâmpadas dos postes piscavam, projetando sombras longas e disformes no asfalto molhado. O silêncio do local só era quebrado pelo bater das ondas contra as pilastras de concreto.

    No píer 4, um iate negro e sem luzes de navegação estava atracado, o motor funcionando em um ronco baixo e gutural. Na popa da embarcação, uma figura alta observava a água.

    Helena deu um passo cauteloso para fora da sombra de um container.

    — Quem é você? — a voz dela saiu rasgada, a mão firme dentro do casaco, segurando o pedaço de vidro afiado que recolhera do chão do restaurante.

    A figura se virou devagar sob a luz fraca da lua. O rosto que emergiu da escuridão fez o sangue de Helena congelar instantaneamente. Não era Gabriel. Não era nenhum dos capangas da família Cavalcanti.

    Era seu pai. O homem que ela enterrou três anos atrás.

    — Você demorou, minha filha — disse o homem, com a voz idêntica à que ela ouvia em seus pesadelos, enquanto dava um passo à frente, revelando uma cicatriz profunda que cortava seu rosto do olho até a mandíbula. — Mas vejo que você trouxe exatamente o que o Gabriel e eu precisamos para fechar o negócio.

    Helena deu um passo para trás, o queixo caindo, quando ouviu passos pesados surgindo de dentro do iate. Gabriel saiu da cabine de comando, segurando um documento idêntico ao do envelope, exibindo um sorriso frio e vitorioso ao lado do homem que ela chorara por anos.

    Antes que Helena pudesse gritar, o som de uma trava de segurança sendo liberada ecoou bem atrás de sua orelha, e a ponta gelada de uma pistola foi pressionada contra sua nuca.

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