Parte 3: Traição, sangue e a reviravolta de Marcus transformam a disputa pela herança dos Vasconcellos em uma armadilha mortal onde Elena ressurge das profundezas

O estalo abafado da mão de Elena contra a ardósia submersa morreu no instante em que o silêncio absoluto invadiu o reservatório. Na superfície, Lucas congelou com os punhos ensanguentados estacados sobre a blindagem escura, o peito arfando violentamente. O reflexo de seu próprio rosto pálido na cobertura de pedra parecia o de um estranho.

«Elena!» A voz dele quebrou, transformando-se em um urro animalesco que ecoou pelas paredes de vidro da mansão.

Beatriz ajeitou os punhos da camisa com uma lentidão petrificante, endireitando-se junto ao parapeito do mirante. Nenhum músculo de seu rosto traía remorso. Ela olhou para o filho com desdém calculista, como se observasse um inseto inútil preso em sua própria teia.

«Você perdeu tempo demais gritando, meu querido,» disse Beatriz, com uma serenidade que cheirava à loucura. «A herança dos Vasconcellos nunca pertencerá a uma plebeia manipuladora e ao bastardo dela. O conselho já foi notificado. Oficialmente, Elena nunca esteve aqui esta noite.»

Lucas virou a cabeça tão rápido que o pescoço estalou. O ódio em seus olhos injetados de sangue era palpável. Ele se ergueu do chão com uma rigidez mecânica, avançando na direção da mãe não mais como um filho em prantos, mas como uma força cega de destruição. No entanto, antes que pudesse alcançá-la, um som estridente cortou a bruma da montanha.

Vrummm.

Os faróis de LED branco-azulado de um utilitário blindado rasgaram a neblina da entrada principal, invadindo o pátio privativo em alta velocidade e freando bruscamente a centímetros do espelho d’água. As portas laterais abriram-se com um baque seco. Quatro homens encapuzados saltaram do veículo, liderados por uma figura alta e encoberta por um sobretudo cinza-escuro. A touca caiu, revelando o rosto marcado por uma cicatriz antiga de Marcus, o antigo chefe de segurança que Beatriz demitira na véspera por suposta insubordinação.

«A brincadeira acabou, dona Beatriz,» disparou Marcus, sacando uma pistola com silenciador e apontando-a diretamente para o peito da matriarca. «O perímetro está isolado. Ninguém sai daqui.»

Beatriz nem sequer piscou diante da arma engatilhada. Um sorriso irônico, quase imperceptível, cruzou seus lábios finos enquanto ela erguia o queixo com empáfia.

«Você acha mesmo que eu agiria sozinha, Marcus? Olhe para os monitores da guarita principal.»

Antes que Marcus pudesse reagir, o visor digital preso ao pulso de um dos capangas emitiu um sinal vermelho pulsante e apagou-se. As travas de segurança de todas as portas da mansão dispararam simultaneamente com um estrondo mecânico. No mesmo segundo, o som de sirenes abafadas começou a ecoar não na entrada, mas logo abaixo do penhasco, subindo pela serra em direção à propriedade.

A polícia estava a menos de quinhentos metros. E o chamado de emergência não fora feito por Lucas.

Com o coração disparado contra as costelas, Lucas olhou de relance para o painel destruído da piscina e depois para a profundidade escura sob a ardósia. A chave mestra ainda estava lá embaixo, nas mãos inertes de Elena.

Marcus deu dois passos à frente, o dedo crispado no gatilho, prestes a desferir o golpe final contra Beatriz, quando o reflexo de um movimento lateral na água da piscina chamou sua atenção. Sob a cobertura blindada, a sombra imóvel de Elena pareceu esticar um braço trêmulo contra o fundo, fazendo o painel de vidro trincar de ponta a ponta com um estalo ensurdecedor.

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