Parte 3։ Confronto desesperado revela sala secreta e armadilha mortal armada pela própria mãe de Eduardo para recuperar a chave mestra
Eduardo não pensou; o instinto primitivo de sobrevivência sobrepôs-se a qualquer lógica quando seus dedos se fecharam em torno do castiçal de ferro caído no chão. Ele girou o corpo com o peso da arma improvisada, desferindo um golpe cego na escuridão espessa que engolia o quarto. O som metálico de ferro contra carne ecoou seguido por um grunhido abafado, mas a mão enluvada que apertava o peito de seu filho não afrouxou o aperto. Pelo contrário: os dedos compridos cravaram-se com mais força, fazendo o recém-nascido soltar um ganido agudo que cortou a alma de Eduardo como lâminas.
— Solte-o! — Helena gritou do chão, atirando-se contra a silhueta escura que pendia das vigas de sustentação expostas do telhado.
A resposta da intrusa veio em um soco seco, jogando Helena contra a parede com um baque sordo. Aproveitando a fração de segundo em que o peso do agressor oscilou no ar, Eduardo avançou, cravando a base do castiçal no ombro da figura mascarada. O tecido da jaqueta tática rasgou-se, revelando uma pele pálida e uma cicatriz em forma de serpente que serpenteava pelo pescoço até sumir sob o capuz. A criatura soltou o bebê com um assobio sibilante, despencando desajeitadamente sobre o monte de roupas em chamas que ainda devorava o tapete persa.
O choro abafado voltou a ecoar, estrangulado, e Helena engatinhou desesperada até resgatar o pacote coberto por mantas azuis, puxando o marido pela barra da blusa rasgada. — A escada de serviço, Eduardo! Eles já estão no corredor principal! — a voz dela era um sopro trêmulo, misturando o terror à fúria pura.
Mas quando Eduardo girou a maçaneta da porta lateral que dava para a escada de emergência, o metal cedeu sem resistência alguma — e despencou para dentro. A passagem não levava aos fundos da propriedade, como os arquitetos haviam desenhado na planta original da mansão. O espaço atrás da parede falsa era um fosso escuro, úmido e iluminado apenas por dezenas de pequenas luzes vermelhas que piscavam em um ritmo frenético, contornando centenas de arquivos de metal encaixados uns sobre os outros. Em cima de cada arquivo, uma cópia exata do certificado de nascimento de seu filho, datada e assinada com o mesmo selo notarial que sua mãe guardava no cofre do escritório.
Antes que pudessem recuar para o quarto, a porta principal do dormitório foi esmagada de uma só vez, estilhaçando a madeira nobre em centenas de farpas.
A luz de lanternas potentes cegou o casal instantaneamente. Três homens fardados com uniformes pretos sem identificação invadiram o ambiente, armados com carabinas de silenciador acoplado. No centro do trio, a mãe de Eduardo caminhava com passos serenos, limpando a fuligem da manga do vestido como se estivesse apenas inspecionando um cômodo vazio. Ela estendeu a mão na direção de Helena, os olhos frios e vazios brilhando sob o reflexo das chamas.
— O disfarce acabou, queridos. Entreguem a chave mestra que estava no bolso do casaco do seu pai, Eduardo, ou este recém-nascido será o primeiro a não ver o amanhecer deste século.