Parte 2: Confrontação familiar por teste de DNA termina em agressão brutal e incêndio devastador em cobertura de luxo em Lisboa

Parte 2: Confrontação familiar por teste de DNA termina em agressão brutal e incêndio devastador em cobertura de luxo em Lisboa

 Parte 2: Confrontação familiar por teste de DNA termina em agressão brutal e incêndio devastador em cobertura de luxo em Lisboa

O chão de mármore branco da cobertura em Lisboa refletia a luz dourada do entardecer, mas a atmosfera dentro do apartamento era sufocante. Mariana segurava a borda do berço de latão com os dedos trêmulos, o peito subindo e descendo em arfadas curtas. Ela olhou para a mulher à sua frente — Dona Helena, impecável no seu terno de seda amarelo-mostarda, cujo olhar exalava um ódio frio acumulado ao longo de meses.

Mariana sabia que o segredo não duraria para sempre, mas nunca imaginou que o envelope sobre a mesa de centro seria aberto naquela tarde. Nele, os resultados do exame de DNA que Helena encomendara em segredo traziam a confirmação que a matriarca da família Alencastro tanto desejava: o pequeno Tiago, o herdeiro com menos de um mês de vida, não tinha o sangue da família.

O som do choro do bebê cortou o silêncio tenso. Mariana tentou se aproximar da criança, mas Helena deu um passo rápido, interceptando-a.

— Você achou mesmo que conseguiria nos enganar? — a voz de Helena tremia de fúria contida. — Que colocaria um bastardo na minha família e ficaria com tudo?

— Helena, por favor, me escute! — implorou Mariana, as lágrimas embaçando sua visão. — Não é o que você está pensando. O Mateo… ele sabe. Ele sempre soube!

A mentira de Mariana foi o estopim. Num movimento brusco e descontrolado, Helena avançou. As unhas da mulher mais velha se cravaram com violência no rabo de cavalo de Mariana, puxando seus cabelos negros para trás enquanto a empurrava contra a borda do berço. O solavanco fez o móvel balançar perigosamente.

— Você destruiu tudo! — gritou Helena, fora de si, puxando-a novamente e arremessando-a com força sobre o chão de mármore.

O impacto do corpo de Mariana contra a pedra fria ressoou pela sala ampla, fazendo um tecido da sua blusa se rasgar. Ela soltou um gemido de dor, tonta, incapable de se levantar.

— Sai da minha frente! — vociferou a matriarca, dando um passo ameaçador na direção da nora.

Antes que Helena pudesse tocar em Mariana novamente, a porta de entrada da cobertura foi escancarada com um estrondo violento. Mateo surgiu sob o arco do corredor, suado, a camisa verde-escuro amassada e os olhos desorbitados pelo pânico e pela raiva. Ele havia corrido do escritório assim que recebeu a mensagem enigmática de sua mãe.

— Fica longe dela agora! — urrou Mateo, a voz ecoando pelas paredes de madeira escura.

Atravessando a sala em passos largos, Mateo não hesitou. Ele se colocou entre as duas e empurrou a própria mãe com toda a força dos seus braços. O impacto projetou Helena para trás; ela voou contra a estante de nogueira, onde dezenas de livros e objetos decorativos despencaram antes de ela cair pesadamente no chão.

— Nunca mais encoste nela! — esbravejou o jovem, o peito arfando enquanto corria para se ajoelhar ao lado de Mariana, cobrindo o corpo da esposa com o seu.

No berço, o choro do bebê tornou-se um grito estridente de agonia. Mariana soluçava incontrolavelmente, agarrando-se ao terno do marido, sussurrando palavras desconexas de socorro.

Mas no chão, junto aos escombros da estante, a humilhação transformou a raiva de Helena em loucura absoluta. Com os olhos fixos nas costas do filho, suas mãos tatearam às cegas o piso até encontrarem a base pesada de um candelabro de latão com velas acesas, caído da prateleira inferior.

Sem emitir um único aviso, Helena se ergueu sobre os joelhos e desferiu um golpe brutal, esmagando o metal pesado contra as costas de Mateo. Um estalo ecoou pela sala, seguido pelo gemido sufocado do homem, que desabou sobre Mariana.

Na queda, o candelabro escapou das mãos de Helena e rolou até o tapete de terracota. Em segundos, as chamas das velas tocaram as fibras secas do tecido. Um chiado alto precedeu uma explosão de fogo que se espalhou pelo tapete e alcançou os painéis de madeira da parede.

O ar foi rapidamente tomado por uma fumaça densa e escura. As labaredas subiram em direção ao teto alto, estalando com fúria.

Helena deu dois passos para trás, a respiração presa na garganta. O vermelho do fogo refletia nos seus olhos enquanto a fúria evaporava, dando lugar a um terror paralisante.

— O que foi que eu fiz?! — sussurrou ela, o tom de voz mudando de agressora para vítima apavorada.

Tomada pelo pânico e incapaz de encarar as chamas que se alastravam rapidamente, Helena virou as costas. Abandonando o filho caído e a nora ferida, ela correu desajeitadamente pelo corredor, tossindo devido à fumaça que já preenchia a entrada. Cruzou a porta da cobertura e saiu para o hall dos elevadores, olhando para trás uma última vez enquanto o fogo alaranjado devorava a sala principal.

Dentro do apartamento, o calor tornou-se insuportável. Arrastando-se com dificuldade por baixo do corpo semi-inconsciente de Mateo, Mariana conseguiu se libertar. Tossindo e com a visão turva pelo choro e pela fumaça, ela caminhou até o berço e tirou o pequeno Tiago do fogo, apertando o bebê contra o peito.

Kneeling no chão, cercada pelo rugido das chamas que avançavam sobre o teto, Mariana abraçou o filho com força desesperada, soluçando sem parar sob o brilho alaranjado do incêndio. Foi quando seus olhos caíram sobre o bolso da camisa de Mateo, rasgado na queda.

De dentro do pano sobrou um segundo envelope dobrado, idêntico ao da mãe dele, mas assinado por um laboratório diferente. Ao lado do documento, uma pequena foto antiga revelava o rosto de Helena jovem ao lado de um homem desconhecido — o mesmo homem cujo nome constava na certidão de nascimento secreta de Mateo.

A fumaça cobriu o ambiente por completo, cortando o ar, enquanto Mariana percebia, no meio do caos, que a verdadeira identidade de Mateo nunca fora a que todos acreditavam.

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